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Tarifaço: a história se repete?

Aluizio Falcão Filho
2 de junho de 2026

Em meados de 2025, a visita de um membro da família Bolsonaro à Casa Branca foi seguida de um tarifaço que jogou a economia brasileira em compasso de espera. Foi a oportunidade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve para recuperar parte da popularidade perdida: o Planalto reagiu e passou a confrontar Donald Trump.

Duas semanas atrás, o senador Flávio Bolsonaro foi recebido no Salão Oval e pediu que organizações criminosas brasileiras fossem classificadas como terroristas. Flávio foi atendido e explorou fortemente este episódio em suas redes sociais.

Ontem, no entanto, a Casa Branca divulgou que está propondo um novo tarifaço sobre uma série de produtos brasileiros, deixando de fora mercadorias que mexem com a inflação americana, como o café. A sobretaxa de 25% deve provocar algum tipo de efeito negativo na economia nacional, mas a magnitude não deve ser igual à do ano passado.

Obviamente, o novo tarifaço será explorado por Lula em sua campanha. O presidente deverá colocar essas novas tarifas no colo de seu oponente, ampliando as acusações de traição à pátria.

Provavelmente o tarifaço de ontem não tem a ver com a visita de Flávio à Casa Branca. Mas, em política, o que vale é a narrativa e não os fatos. Neste sentido, o governo ganhou de presente um bom argumento para atacar a oposição.

Muitos acusam os Estados Unidos de unilateralismo e de miopia geopolítica. Este parece ser o caso do tarifaço 2.0. Em nome de determinados interesses internos, decide-se por medidas que prejudicam um suposto aliado político, em um ato que pode mexer com a hegemonia política da direita no continente latino-americano.  Vamos dizer que o tarifaço provoque algum tipo de contração econômica. Neste caso, o eleitor não deve culpar Lula — e sim Flávio. O senador pode ter virado refém de um apoio que, desde ontem, pode prejudicá-lo nas eleições de outubro.

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