Após semanas de desgaste político, Flávio Bolsonaro desembarcou em Washington e viu sua agenda ganhar força com a decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho
Toda semana MONEY REPORT escolhe a cena que melhor simboliza os acontecimentos que movimentaram a política e a economia. Desta vez, a imagem da semana registra o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em Washington.
A fotografia ganhou peso político porque, menos de 24 horas depois da reunião, o governo americano anunciou que passará a classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A medida vinha sendo defendida publicamente por Flávio Bolsonaro, que celebrou a decisão nas redes sociais com a frase “Grande dia”. Embora o tema já estivesse em análise pelas autoridades americanas havia meses, a proximidade entre o encontro e o anúncio transformou a imagem em um dos retratos políticos mais comentados da semana.
O contexto ajuda a explicar por que a foto repercutiu tanto. A viagem de Flávio aos Estados Unidos aconteceu justamente após semanas de desgaste provocado pelas revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Vazamentos de mensagens e áudios colocaram o senador no centro de uma crise política que atingiu sua pré-campanha presidencial, derrubou seus números nas pesquisas e gerou desconforto até entre setores do mercado que vinham apoiando sua candidatura.
Não por acaso, a agenda em Washington foi vista por analistas como uma tentativa de reposicionar sua campanha. Além do encontro com Rubio, Flávio se reuniu com integrantes da administração de Donald Trump e explorou publicamente a aproximação com a Casa Branca. A imagem ao lado do principal nome da diplomacia americana acabou funcionando como uma resposta visual ao momento turbulento vivido pelo senador no Brasil.
A reação do governo brasileiro veio rapidamente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão dos Estados Unidos e afirmou que o país não aceita ser tratado como “moleque” ou “republiqueta”. Lula declarou que o combate às facções será feito pelas instituições brasileiras e cobrou dos americanos mais cooperação no enfrentamento ao tráfico internacional de armas e à lavagem de dinheiro.
Por isso, a fotografia desta semana vai além de uma reunião diplomática. Ela reúne, no mesmo enquadramento, uma campanha tentando recuperar fôlego, uma crise internacional em construção e um debate sobre os limites da influência americana em temas de segurança pública no Brasil.
