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Exame: “Preço cai à metade, mas volume dobra”, diz CEO da RD Saúde sobre “Ozempic brasileiro”

Da redação
27 de maio de 2026
Aprovação do Ozivy, primeiro similar nacional da semaglutida, deve democratizar acesso ao tratamento, avalia Renato Raduan

A aprovação da caneta emagrecedora da farmacêutica EMS pela Anvisa nesta terça-feira, 26, foi recebida com entusiasmo pelo varejo farmacêutico. Para Renato Raduan, CEO da RD Saúde (ex-Raia Drogasil), rede com maior número de farmácias no país, o movimento, além de fortalecer o negócio das varejistas, é uma virada para a saúde pública brasileira.

“Para o Brasil, para a saúde, para o sistema público de saúde é muito positivo”, disse Raduan. O principal gargalo das canetas emagrecedoras, reconhece, sempre foi o preço elevado, que restringiu o acesso a uma parcela pequena da população. Com a chegada de um produto nacional mais barato, esse cenário deve mudar.

O Ozivy foi desenvolvido integralmente pela EMS, com tecnologia e produção nacionais. A empresa prometeu chegar às farmácias com preço cerca de 30% mais acessível do que o produto de referência – o Ozempic.

“Não é um desconto temporário de entrada. O produto já terá um preço bem mais acessível e, no início do tratamento, as condições serão ainda melhores”, afirmou Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.

A expectativa é que o Ozivy chegue às farmácias nos próximos 30 dias.

Lições de Argentina e Rússia

Raduan usou o exemplo de outros países para explicar o impacto de chegada de produtos com menor tíquete no varejo de GLP 1.

“Isso já aconteceu na Argentina e já aconteceu na Rússia”, afirmou. Nesses mercados, “o preço médio cai mais da metade, 50%, 60%, mas o volume, muito mais do que dobra, por mais gente ter acesso”.

Os números da EMS reforçam essa lógica. A primeira leva será de 350 mil unidades, com meta de 1,2 milhão no primeiro ano e expectativa de faturamento superior a R$ 500 milhões. Mais de dois mil representantes médicos serão mobilizados para apresentar o produto à classe médica antes mesmo de o item chegar às prateleiras.

Mercado informal na mira

Raduan também falou sobre o impacto da chegada de novas canetas no comércio de produtos não regularizados pelas autoridades sanitárias brasileiras. Muitas dessas substâncias têm chegado ao país vindas do Paraguai e vendidas com facilidade por redes sociais.

“É a chance dessas pessoas poderem, ao invés de ir nesses canais, fazer o consumo com produto de origem garantida, que a gente sabe que teve a condição de refrigeração adequada na logística”, disse Raduan.

Ele também elogiou os órgãos fiscalizadores: “A atuação está sendo exemplar. Eles sabem do risco que tem para a população trazer produtos que não têm origem garantida, não são certificados pela Anvisa, não têm a condição de refrigeração. É bem difícil você conseguir ter uma contenção total.”

Investimento de uma década, mercado bilionário

Por trás do lançamento há uma aposta de longo prazo. A EMS investiu R$ 1,2 bilhão ao longo de dez anos no desenvolvimento de uma plataforma proprietária de peptídeos, com capacidade produtiva de 40 milhões de canetas por ano na fábrica de Hortolândia. A unidade é a única no Brasil voltada à produção desses peptídeos, e os medicamentos serão exportados para os Estados Unidos e a Europa.

O mercado nacional de injetáveis para obesidade e diabetes, ressalta a EMS, já ultrapassa R$ 5,6 bilhões por ano.

“É muito positivo que tenha concorrência e que tenham também empresas nacionais participando disso”, conclui o CEO da RD.


Por Mitchel Diniz

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