Estudo revela que a população 60+ já responde por 25% da renda dos lares e alerta para a necessidade de repensar políticas públicas focadas em segurança alimentar, habitação e economia do cuidado
O envelhecimento acelerado da população brasileira já produz impactos profundos sobre a economia, o mercado de trabalho e as políticas públicas do país. É o que mostra o relatório Longevidade e Economia Brasileira, desenvolvido pelo Itaú Viver Mais, iniciativa do Itaú Unibanco voltada ao público acima de 50 anos, em parceria com a FGV EAESP. Segundo o estudo, os brasileiros com 60 anos ou mais já representam 15,7% da população e respondem por 25% da renda dos lares, consolidando o avanço da chamada economia prateada.
O levantamento destaca, porém, que a longevidade no Brasil ocorre em meio a desigualdades estruturais. Cerca de 83% da população idosa depende da previdência pública como principal fonte de renda, enquanto o número de aposentados cresce em ritmo superior ao de contribuintes. Entre 2015 e 2021, os contribuintes do regime geral avançaram menos de 1%, frente a uma alta superior a 17% no total de aposentados, ampliando os sinais de pressão sobre o sistema previdenciário.
No mercado de trabalho, a presença de profissionais acima dos 60 anos cresceu 88% entre 2012 e 2022, mas o estudo alerta para o avanço da precarização. Grande parte das vagas ocupadas por idosos concentra-se em funções de baixa remuneração e na faixa etária de 60 a 64 anos, indicando que a permanência na ativa, em muitos casos, está ligada à necessidade financeira.
O relatório também chama atenção para os desafios da saúde pública: aproximadamente 75% da população idosa depende exclusivamente do SUS, enquanto os custos com cuidados médicos aumentam de forma significativa após os 60 anos.
Para a diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, Luciana Nicola, o debate sobre longevidade deve ir além da expectativa de vida. “Não se trata apenas de viver mais, mas de garantir que essa jornada aconteça com dignidade, segurança e inclusão”, afirma.
O estudo projeta que o Brasil terá 66,5 milhões de idosos até 2050 e defende uma agenda coordenada entre poder público, empresas e sociedade civil, com foco em políticas intersetoriais, fortalecimento da economia do cuidado e adaptação das cidades para uma população mais envelhecida.
