Fabricante de memórias dispara em Wall Street após UBS elevar preço-alvo e reforçar tese de demanda estrutural por semicondutores
A Micron Technology ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado nesta terça-feira (26), em mais um sinal de que a corrida global pela inteligência artificial continua redesenhando o mapa das empresas mais valiosas do setor de tecnologia. As ações da fabricante norte-americana de chips de memória subiam cerca de 18% durante o pregão, negociadas na casa dos US$ 886, após atingirem máxima intradiária de US$ 891,27.
O salto foi impulsionado pela revisão do UBS, que elevou o preço-alvo da ação de US$ 535 para US$ 1.625, a maior projeção entre as 46 casas que acompanham o papel, segundo dados da LSEG. O banco manteve recomendação de compra e apontou contratos de longo prazo, maior previsibilidade de demanda e expansão do mercado de memória para IA como fatores que podem sustentar uma nova reprecificação da companhia. “Acreditamos que o mercado começará a atribuir um múltiplo mais ‘normal’ às ações e que a Micron continuará sendo reavaliada para cima à medida que surgirem mais detalhes sobre as mudanças estruturais que a IA provocou em todo o segmento de memória”, escreveu a instituição financeira.
A Micron se tornou uma das principais beneficiadas pela demanda por chips de memória de alta performance, usados em servidores, data centers e sistemas de IA generativa. Esse segmento, antes visto como mais cíclico e dependente de preços de curto prazo, ganhou outro peso estratégico com a expansão dos modelos de inteligência artificial, que exigem maior capacidade de processamento e armazenamento de dados.
O movimento também indica uma ampliação do rali de IA para além da Nvidia, até aqui o principal símbolo da corrida por semicondutores. Investidores passaram a olhar com mais atenção para empresas ligadas a componentes complementares da infraestrutura de IA, como memórias de alta largura de banda, CPUs e chips especializados. Nesse cenário, Micron, SK Hynix e Samsung aparecem como nomes centrais para atender à demanda crescente.
As ações da Micron acumulam alta superior a 200% em 2026 e mais de 800% nos últimos 12 meses. A valorização reflete a combinação entre forte demanda, escassez global de memória, possibilidade de aumento de preços e melhora nas expectativas de geração de caixa. A empresa também vem ampliando investimentos nos Estados Unidos, dentro do esforço do país para reduzir a dependência externa em semicondutores.
No ano passado, a Micron anunciou planos de investir até US$ 200 bilhões em produção e pesquisa nos EUA, incluindo um projeto de até US$ 100 bilhões para construir uma fábrica de chips no Estado de Nova York, com início de operação previsto para 2030. Mais recentemente, a companhia também informou investimento de mais de US$ 2 bilhões para expandir e modernizar sua unidade de DRAM em Manassas, na Virgínia.
O avanço ocorre em um ambiente político favorável à produção doméstica de chips nos Estados Unidos. Em comício em Nova York, o presidente Donald Trump elogiou a Micron e destacou os investimentos da empresa no país. A sinalização reforçou a percepção de que a companhia pode se beneficiar tanto da demanda privada por IA quanto da estratégia industrial norte-americana para semicondutores.
Apesar do entusiasmo, a valorização acelerada também aumenta o nível de exigência sobre os próximos resultados da empresa. O mercado deve acompanhar se a demanda por memória de alta performance continuará forte o suficiente para sustentar margens, preços e geração de caixa. O próximo balanço trimestral da Micron, previsto para junho, deve servir como novo teste para a tese de que a companhia deixou de ser apenas uma fabricante cíclica de memória e passou a ocupar um papel mais estrutural na infraestrutura da inteligência artificial.
