O BTG Pactual aponta em relatório distribuído a clientes que o PIB da Argentina deve crescer cerca de 4% em 2026. Porém, o governo de Javier Milei enfrenta obstáculos relevantes tanto na frente econômica quanto política.
O otimismo com a recuperação é sustentado por avanços fiscais e ajustes monetários. No entanto, a queda de popularidade do presidente e a concentração do crescimento fora da região metropolitana de Buenos Aires criam riscos adicionais.
Na política fiscal, destaca o BTG, Milei construiu credibilidade ao reduzir gastos em cinco pontos percentuais do PIB em dois anos, um ajuste considerado expressivo. Apesar de reveses no Congresso, como maiores despesas com universidades e programas sociais, o banco prevê superávit primário de 1,4% do PIB neste ano. O risco maior está em uma atividade econômica mais fraca, que poderia comprometer a arrecadação.
Já na política monetária, houve avanços com uma banda cambial mais confiável e menor volatilidade das taxas de juros. O governo acumulou mais de US$ 6 bilhões em reservas, mas ainda não apresenta uma âncora nominal clara, o que mantém expectativas desajustadas. Ao mesmo tempo, os controles de capital seguem rígidos e a decisão de não emitir dívida no mercado gera críticas de investidores.
O relatório do BTG ressalta que a recuperação da atividade é crucial para sustentar o processo de estabilização da economia argentina. A mudança nos padrões de consumo e as dificuldades enfrentadas por empresas e famílias, por outro lado, exigem mais comunicação e empatia do governo. Para o banco, desfazer reformas seria um erro, mas a forma de conduzi-las pode definir o equilíbrio entre crescimento econômico e estabilidade política.
