O temor é de que o impacto no bolso das famílias afete a popularidade do presidente em ano eleitoral
O governo federal anunciou nesta segunda-feira (6) novas medidas para conter a alta dos combustíveis, pressionada pela guerra no Irã e pela escalada do preço do petróleo. Entre as ações, está a criação de um subsídio adicional de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no país. Para o diesel importado, o benefício será de R$ 1,20 por litro, dividido entre União e estados, com custo estimado em R$ 4 bilhões nos próximos dois meses.
Além disso, o Executivo vai bancar uma subvenção de R$ 850 por tonelada de gás de cozinha importado, buscando equiparar o preço ao produto nacional. A medida terá duração inicial de dois meses, prorrogáveis por mais dois, e deve custar R$ 330 milhões. Também foram zeradas as alíquotas de PIS/Cofins sobre biodiesel e querosene de aviação.
Essas ações se somam às medidas já adotadas em março, como a isenção de tributos sobre o diesel e a criação de um subsídio de R$ 0,32 por litro, que pode custar até R$ 10 bilhões em 2024. No entanto, a eficácia da política ainda é limitada pela resistência de grandes distribuidoras, como Vibra, Ipiranga e Raízen, que não aderiram ao programa.
O aumento do preço do barril de petróleo, impulsionado pelo fechamento do estreito de Hormuz após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, elevou os custos globais de energia e trouxe preocupação ao governo brasileiro. O temor é de que o impacto no bolso das famílias, já em cenário de endividamento elevado, afete a popularidade do presidente em ano eleitoral.
A pressão também vem dos caminhoneiros, que chegaram a ameaçar paralisação diante dos reajustes considerados abusivos. O governo reagiu com fiscalizações mais rígidas e medidas de alívio tributário, o que levou a categoria a recuar.
