Sigla deve lançar menor número de candidatos a governador desde 2010
O Partido dos Trabalhadores (PT) deve lançar o menor número de candidatos a governador em 2026, ao priorizar alianças regionais para fortalecer a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até o momento, a legenda trabalha com nove nomes próprios nos estados.
A estratégia marca uma mudança em relação a eleições anteriores, com maior abertura de palanques para aliados, especialmente em regiões onde a oposição tem mais força, como o Sul do país. Nos bastidores, dirigentes afirmam que o objetivo é reduzir perdas em estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, evitando impacto na disputa presidencial.
Com o fim da janela partidária e a proximidade dos prazos eleitorais, as negociações avançaram. O partido abriu mão de candidaturas em estados relevantes, como Rio de Janeiro — onde apoiará o prefeito Eduardo Paes — e Minas Gerais, com articulações em torno do senador Rodrigo Pacheco. Também há apoio a nomes como João Campos, em Pernambuco, Omar Aziz, no Amazonas, e Fábio Mitidieri, em Sergipe.
Nesse cenário, o Senado ganha protagonismo. No Rio Grande do Sul, o PT avalia retirar a candidatura de Edegar Pretto para apoiar Juliana Brizola, enquanto o ministro Paulo Pimenta deve disputar uma vaga na Casa.
O movimento de ampliação de alianças ocorre em meio a tensões internas. A filiação da ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu ao partido, oficializada no último dia da janela partidária, gerou resistência em setores da legenda. Integrantes da corrente Articulação de Esquerda articulam reação à entrada da ex-parlamentar, vista por parte do grupo como representante do agronegócio e distante das pautas históricas do partido, como a reforma agrária e o alinhamento com movimentos sociais, a exemplo do MST.
Apesar das críticas, dirigentes locais defendem que a chegada de Kátia Abreu pode fortalecer a base do governo em estados estratégicos, como o Tocantins, onde ela é cotada para disputar cargos majoritários.
A estratégia geral, no entanto, enfrenta resistência interna. Parte do partido avalia que a redução de candidaturas pode enfraquecer a presença regional e a formação da bancada federal. Já aliados da direção defendem que Lula será o principal cabo eleitoral, capaz de compensar a menor capilaridade estadual.
O PT também pretende ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados e conter o avanço da oposição no Senado. Ao mesmo tempo, concentra esforços nos estados que já governa — Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Neste último, considerado o cenário mais desafiador, a governadora Fátima Bezerra enfrenta alta desaprovação.
Em São Paulo, o partido aposta no ministro Fernando Haddad para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas, mesmo com avaliação interna de baixa competitividade. Ainda há indefinições em estados como Goiás, Maranhão e Roraima.
Em 2022, o PT lançou 13 candidatos a governador. Se confirmado, o número atual será o menor em mais de uma década e reflete a centralidade da eleição presidencial na estratégia da legenda.
