Mandatário mira conter desaprovação recorde a seis meses da eleição
A edição deste domingo (5) do jornal O Globo destaca que, diante de uma desaprovação inédita a seis meses da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula um pacote de medidas para tentar reverter o mau humor do eleitorado.
O movimento repete a estratégia de outros mandatários em busca da reeleição: acionar a máquina pública com benefícios de impacto direto no bolso da população.
Entre as iniciativas em estudo estão incentivos ao gás de cozinha e à conta de luz, renegociação de dívidas com descontos de até 80%, além de medidas para conter a alta nos combustíveis, como o subsídio ao diesel.
Também estão na mesa a revisão da chamada “taxa das blusinhas” e a suspensão de multas no pedágio eletrônico “free flow”.
Apesar de indicadores macroeconômicos considerados positivos (desemprego baixo, inflação controlada e aumento da renda), o endividamento das famílias atingiu recorde, e a inadimplência voltou a crescer
O governo aposta que um novo programa de renegociação pode aliviar a pressão sobre o orçamento doméstico e melhorar a percepção popular.
No setor energético, a guerra no Irã e seus reflexos no petróleo reforçam a necessidade de ampliar repasses para manter programas como o Gás do Povo e o Luz do Povo.
Já no campo tributário, Lula insiste em destacar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil como vitrine de sua gestão.
A estratégia, segundo analistas ouvidos pelo jornal, segue uma cartilha tradicional, mas enfrenta um ambiente mais volátil e incerto do que em eleições passadas.
O Planalto também aposta na comparação direta com o governo Bolsonaro, que em 2022 conseguiu reduzir a desaprovação às vésperas da votação com medidas semelhantes, embora tenha sido derrotado.
Para Lula, o desafio é transformar os números e benefícios em narrativa capaz de recuperar apoio e conter a rejeição crescente.
