O setor de infraestrutura brasileiro vive um momento de forte expansão impulsionado pelo capital privado
Empresas como Sabesp, Axia (ex-Eletrobras) e Motiva (ex-CCR) estão protagonizando uma nova fase marcada por aportes bilionários e pela redução da participação estatal. Segundo reportagem publicada neste domingo (5) pela Folha de S. Paulo, 84% dos R$ 280 bilhões atualmente investidos em rodovias, energia, água e saneamento vêm de grupos privados, consolidando o que já é chamado de “era privada” da infraestrutura.
A Sabesp, privatizada em 2024, tornou-se o símbolo desse movimento. Em 2025, a companhia registrou R$ 15,2 bilhões em investimentos, mais que o dobro do ano anterior e 150% acima de 2021. A aceleração está ligada à antecipação da meta de universalização do saneamento de 2033 para 2029, exigindo obras em ritmo intenso.
A Axia, desestatizada em 2022, praticamente dobrou seus aportes em cinco anos, chegando a R$ 9,6 bilhões em 2025, com foco em transmissão de energia para integrar fontes renováveis.
Já a Motiva também ampliou fortemente sua base de investimentos, saltando de R$ 2 bilhões em 2021 para R$ 8,5 bilhões em 2025.
Esse ciclo, que ganhou força nos últimos três anos, é resultado de avanços regulatórios e institucionais. O efeito já aparece nos indicadores macroeconômicos: desde 2024, os investimentos crescem mais que o consumo, reforçando a capacidade produtiva do país.
Apesar disso, o Brasil ainda investe apenas 2,24% do PIB em infraestrutura, quando o ideal seria 4% para suprir o déficit acumulado.
O cenário mostra que a infraestrutura nacional entrou definitivamente em uma nova fase, na qual o protagonismo privado redefine o ritmo e a escala dos investimentos, abrindo espaço para oportunidades estratégicas em setores essenciais da economia.
