PATROCINADORES

Os jovens não querem Lula, mas gostam de Renan Santos. Por quê?

Aluizio Falcão Filho
30 de março de 2026

Um dos maiores pontos fracos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o eleitorado jovem. Segundo a pesquisa AtlasIntel, a rejeição a Lula entre pessoas de 16 a 34 anos é de 73%. Isso quer dizer que três quartos da juventude brasileira desaprovam o presidente. Há várias razões para este fenômeno, como a percepção que a economia não anda bem e escândalos como os do INSS e o do Banco Master, que muitos associam a pessoas ligadas ao Planalto. Mas existe algo que parece ser o principal fator de afastamento entre o presidente e a nova geração: a total desconexão de Lula com o mundo digital.

É público e notório que o presidente não tem um aparelho de telefone celular. Isso é muito ruim por duas razões. A primeira é que ele não é o gerador primário de conteúdo sobre suas realizações – sempre alguém está fazendo isso por ele. Sem que Lula se dirija diretamente aos eleitores (e os jovens são os maiores consumidores de redes sociais), haverá um afastamento natural entre o mandatário e eleitorado. Mas há algo pior: sem ter um celular à mão, o presidente se informa apenas com o conteúdo que é filtrado por alguém. Lula não tem a menor ideia do que o eleitorado jovem pensa ou deseja. Por isso, tem um discurso que não se sintoniza com esse grupo (ainda colabora para isso o fato de Lula ter 80 anos de idade).

Mas resta uma dúvida sobre este comportamento: será que Lula não tem interesse em saber o que se passa ao seu redor ou hoje ele é blindado por um grupo que, de propósito, o mantém distante da realidade?

Do mesmo jeito que Lula sofre a rejeição desta faixa etária, há um candidato que nada de braçadas entre o eleitorado jovem. Trata-se de Renan Santos (imagem), do MBL, que tem 24,7% das intenções de votos nesta faixa (eram 15,9% em fevereiro). Quem já navegou pelas redes sociais de Renan entende rapidamente essa conexão com a juventude. Embora tenha 42 anos de idade, Renan produz vídeos contundentes, de linguagem simples e eficaz. Além disso, se coloca como um outsider da cena eleitoral e ataca sem dó ou piedade a classe política, algo que tem bastante apelo entre os jovens.

Percebe-se que o governo está em um voo cego no que diz respeito a entender o comportamento do eleitorado e fica batendo na mesma tecla — a de ampliar a divulgação de suas realizações. Talvez seja mais produtivo entender primeiro quais são as raízes de sua desaprovação e compreender o que tem provocado o crescimento de Flávio Bolsonaro ou mesmo, em menor escala, de Renan Santos. Se souber quais são seus pontos fracos, provavelmente o Executivo poderá trabalhar melhor sua campanha de reeleição. Mas o Planalto mostra estar perdido e rodando em círculos, sem ter uma estratégia definida para virar o jogo.

Diante desse cenário, o desafio central para o governo é reconstruir uma ponte com a juventude antes que a distância se torne irreversível. Isso exige mais do que ampliar a presença institucional nas redes: implica reconhecer que a linguagem política tradicional perdeu força entre os mais novos e que a disputa por atenção ocorre em um ambiente veloz, fragmentado e altamente competitivo. Se o Planalto não ajustar sua forma de comunicação e não demonstrar compreensão genuína das inquietações dessa geração, continuará cedendo espaço a figuras que dominam esse ecossistema digital e que sabem transformar insatisfação em capital político.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também