Defesa busca afastar tese de liderança do esquema e ampliar margem de negociação com autoridades
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada e tenta retirar da lista de acusações o crime de organização criminosa, além de contestar a tese de que seria o líder do esquema investigado pela Polícia Federal.
A estratégia da defesa busca facilitar a colaboração com as autoridades. Em acordos desse tipo, é comum que o delator apresente informações sobre superiores hierárquicos — o que, segundo a linha adotada pelos advogados, ficaria inviável caso Vorcaro seja apontado como chefe da organização.
Com a retirada dessa acusação, a expectativa é que ele forneça informações sobre outros envolvidos nas fraudes investigadas no âmbito do extinto Banco Master, incluindo conexões políticas e operacionais do esquema.
No acordo em negociação, Vorcaro também deve apresentar documentos, validar dados encontrados em seu celular e detalhar encontros e relações mantidas com outros investigados.
Apesar de já ter assinado um termo de confidencialidade, o acordo ainda depende de homologação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde a última semana, Vorcaro tem se reunido com seus advogados na sede da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso. As reuniões têm sido frequentes e fazem parte da preparação para a colaboração.
Outro investigado no caso, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também alterou sua defesa com o objetivo de aderir ao acordo de delação. A intenção é que ele seja incluído na negociação em curso.
Ambos foram presos no âmbito da operação Compliance Zero. Zettel está detido em um presídio no interior de São Paulo, enquanto Vorcaro permanece sob custódia na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
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