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Banco Pleno é liquidado pelo BC; controlador tem histórico com Vorcaro e políticos

Da redação
18 de fevereiro de 2026
Medida do Banco Central cita deterioração financeira e descumprimento de normas, enquanto trajetória do controlador inclui sociedade no Banco Master, investigações da PF e interlocução com diferentes grupos políticos.

O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição controlada pelo empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima. Ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, o banqueiro também mantém histórico de relações com diferentes grupos políticos, especialmente na Bahia.

Guga Lima deixou a sociedade com Vorcaro em maio de 2024. Cerca de um ano depois, passou a controlar o Banco Voiter, que anteriormente integrava o conglomerado Master. Após aprovação do BC, em junho de 2025, a instituição foi rebatizada como Banco Pleno.

Tanto Lima quanto Vorcaro chegaram a ser presos pela Polícia Federal em novembro do ano passado, durante a operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades no sistema financeiro com foco na atuação do Banco Master. As prisões preventivas foram revogadas pelo Tribunal Regional Federal menos de duas semanas depois.

Relações políticas e trajetória empresarial

Na Bahia, Guga Lima construiu relações políticas diversas. Uma das mais conhecidas ocorreu com o PT: em 2018, durante o governo de Rui Costa, venceu a licitação para aquisição da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos).

Na sequência, lançou o CredCesta, cartão de crédito consignado voltado principalmente a servidores públicos, com juros inferiores aos praticados no mercado. O produto ganhou escala e acabou sendo replicado em outros estados. Em 2020, ao entrar como sócio do Banco Master, Lima levou o CredCesta, que se tornou um dos principais ativos da instituição.

Além da proximidade com nomes ligados ao PT, o empresário também mantém interlocução com lideranças da direita baiana, como ACM Neto (União) e João Roma (PL), presidente do partido na Bahia.

Motivos da liquidação

Segundo o Banco Central, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da liquidez, além de descumprimento de normas regulatórias e determinações da autarquia.

O BC informou ainda que o banco possui pequeno porte dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN), respondendo por cerca de 0,04% dos ativos totais e 0,05% das captações.

A autoridade monetária afirmou que seguirá apurando responsabilidades e que o resultado das investigações pode levar à aplicação de sanções administrativas e comunicação a outros órgãos competentes. Conforme prevê a legislação, os bens dos controladores e administradores da instituição ficam indisponíveis durante o processo.

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