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25% dos executivos já se arrependeram de postagens pessoais

Da redação
14 de janeiro de 2026
Levantamento com lideranças C-level mostra dilema entre autenticidade e autoproteção no ambiente corporativo e digital

Pesquisa inédita da Soul HR Consulting revela que um quarto dos executivos pesquisados já se arrependeram de ter publicado conteúdo pessoal nas redes sociais por receio de impactos na carreira. O estudo ouviu mais de 110 líderes C-level e expõs as contradições na forma como o alto escalão lida com a própria exposição pública.

Apesar de 91% dos entrevistados afirmarem acreditar que mantêm um bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional, os dados mostram que a prática nem sempre confirma essa percepção. Mais da metade dos participantes (55%) admitiu já ter se posicionado além do limite sobre a vida pessoal no ambiente de trabalho. Entre os homens, o percentual chega a 52%, enquanto entre as mulheres é de 40%.

Ao mesmo tempo, o receio de consequências profissionais leva à autocensura. Segundo a pesquisa, 86% dos executivos afirmaram já ter deixado de se expressar ou de compartilhar vulnerabilidades para evitar prejuízos na carreira, o que reforça a percepção de que o ambiente corporativo ainda não é visto como um espaço seguro para a exposição de fragilidades pessoais.

Para Lucia Costa, sócia da Soul HR Consulting e responsável pelo levantamento, os dados revelam um dilema recorrente entre autenticidade e proteção. “Existe a intenção de se posicionar de forma mais humana, mas o receio de interpretações equivocadas ou de impactos na carreira leva à autocensura. O equilíbrio não está em se expor mais ou menos, mas em ter clareza sobre o que se deseja compartilhar, quando e por quê”, afirma.

Resultados
  • 91% acreditam manter equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
  • 55% admitem ter ultrapassado o limite sobre a vida pessoal no ambiente de trabalho: 52% dos homens e 40% das mulheres;
  • 46% dos executivos consideram a exposição pessoal prejudicial à carreira;
  • 25% já se arrependeram de alguma postagem;
  • 11% enxergam algum ganho neste tipo de abertura;
  • 1,25% acreditam que exposição pessoal ajuda no crescimento profissional.


Autenticidade sob vigilância

Na contramão do discurso que defende maior abertura emocional por parte das lideranças, 46% dos executivos consideram a exposição de informações pessoais prejudicial à carreira. Apenas 11% enxergam algum ganho profissional nesse tipo de abertura, e somente 1,25% acreditam que a exposição pessoal contribui de forma significativa para o crescimento profissional.

O estudo também indica que o medo da exposição não está ligado, na maioria dos casos, a punições formais. Apenas 7,5% dos respondentes relataram ter recebido feedback negativo explícito sobre informações pessoais compartilhadas. O controle, segundo o levantamento, ocorre de forma mais cultural e implícita, por meio de expectativas não ditas e leituras do ambiente organizacional.

Esse cuidado se intensifica no ambiente digital. O fato de um em cada quatro executivos já ter se arrependido de publicações pessoais nas redes sociais reforça a lógica de autovigilância entre o público e o privado.

“Existe um discurso sedutor sobre autenticidade, mas a prática mostra uma leitura muito cuidadosa do contexto. Os executivos sabem que nem toda exposição gera conexão e que, muitas vezes, o risco está menos no que se diz e mais em como isso será interpretado — especialmente no ambiente digital”, conclui Lucia Costa.

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Comentários

Uma resposta

  1. Cargos de chefia tem que tomar cuidado mesmo. As pessoas acham que não, mas as empresas ficam de olho nas redes.

    É a nova forma de peneirar condutas.

    Tive um chefe que fez postagens homofóbicas nas eleições, foi demitido. Nunca mais ouvi falar dele no mercado

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