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Haddad alerta para maior fraude bancária e risco externo

Da redação
13 de janeiro de 2026
Ministro cita caso Master, defende atuação do BC, comenta tarifas de Trump ao Irã e diz que cenário internacional é hoje o principal risco para a economia brasileira

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (13) que o Brasil pode estar diante da maior fraude bancária de sua história, ao comentar o caso envolvendo a liquidação extrajudicial do Banco Master. Segundo ele, o processo exige cautela, respeito ao direito de defesa e firmeza na proteção do interesse público.

Haddad disse que o tema está sendo acompanhado articuladamente pela Fazenda, pelo Banco Central, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Procuradoria-Geral da União. O ministro reforçou que mantém contato quase diário com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e afirmou estar “absolutamente seguro” da atuação técnica da autoridade monetária.

De acordo com Haddad, há convergência entre os órgãos de controle para esclarecer os fatos, apurar responsabilidades e, se for o caso, buscar o ressarcimento de prejuízos. Ele destacou que o caso envolve recursos de interesse público, ao lembrar que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), embora formalmente privado, é capitalizado também por Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

O ministro afirmou ainda que eventuais inspeções externas só fazem sentido se contribuírem para ampliar a transparência. “Se a intenção for boa, a transparência ajuda”, disse, ao defender o trabalho do Banco Central como tecnicamente robusto.

Tarifa dos EUA ao Irã e risco externo

Haddad também comentou o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% a países que mantêm comércio com o Irã. Para o ministro, trata-se de “mais uma novidade” em uma sequência de anúncios do governo americano que mudam diariamente e ainda precisam ser avaliados com cautela.

Segundo ele, o cenário internacional instável é hoje o principal fator de risco para a economia brasileira. Haddad afirmou que o governo acompanha os movimentos externos, mas evita reagir antes da efetiva implementação das medidas.

Contas públicas e desempenho da economia

Sobre o quadro fiscal, Haddad disse que dados preliminares indicam que o governo federal deve encerrar 2025 com déficit primário em torno de 0,1% do PIB, dentro da meta fiscal. Considerando exceções e a incorporação dos precatórios, o resultado pode chegar a 0,48% do PIB, o que, segundo o ministro, torna os números mais transparentes e comparáveis.

Ele afirmou que, pelo terceiro ano consecutivo, o governo cumpre a meta fiscal e destacou que a trajetória da dívida pública tem sido mais pressionada pelo nível elevado dos juros reais do que pelo resultado primário.

Haddad também ressaltou que o Brasil fechou 2025 com inflação dentro da meta, crescimento acima das projeções pelo terceiro ano seguido e taxa de desemprego em patamar historicamente baixo.

Reforma tributária

O ministro afirmou ainda que a reforma tributária brasileira terá o maior sistema operacional do mundo, com capacidade estimada em até 150 vezes a do Pix. A plataforma entra em fase de testes ao longo de 2026 e, segundo Haddad, é fundamental para garantir segurança jurídica, transparência e previsibilidade antes do início da cobrança plena dos novos tributos.

Ele destacou que a reforma vai além da criação do IVA, permitindo desoneração de investimentos, exportações, cesta básica e medicamentos, com impacto direto sobre preços e competitividade a partir de 2027.

Mercosul e agenda política

Haddad voltou a defender o acordo entre Mercosul e União Europeia, afirmando que, em um mundo marcado por tensões geopolíticas, o Brasil precisa diversificar parceiros comerciais e abrir novas frentes de comércio exterior.

Questionado sobre seu futuro político, o ministro disse que conversará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “quando ele quiser”, mas evitou comentar prazos para uma eventual saída do ministério.

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