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A contradição de Jhonatan

Aluizio Falcão Filho
6 de janeiro de 2026

Poucas pessoas conhecem tão de perto o lado venal de certas autoridades brasileiras como Daniel Vorcaro. Durante os últimos anos, ele fez um esforço milionário para blindar o Banco Master junto a figuras importantes dos Três Poderes – mais especificamente no Legislativo. E aqui está o epicentro do imbróglio que envolve a liquidação desta instituição financeira e o Tribunal de Contas da União.

Como se sabe, o TCU não é exatamente um tribunal e para ser um dos nove ministros não é necessário ter uma formação jurídica. Trata-se de um órgão fiscalizador ligado ao Congresso Nacional e seis vagas são definidas diretamente pelos parlamentares. Hoje, no plantel de ministros, temos um administrador (João Augusto Nardes), um engenheiro civil (Aroldo Cedraz) e um médico (Jhonatan de Jesus, ex-deputado e relator do processo sobre o Banco Master).

É muita coincidência que um órgão ligado ao Parlamento seja justamente aquele que esteja criando dificuldades para que a liquidação do Master seja concluída. Em seu último lance, Jhonatan de Jesus determinou que uma inspeção técnica fosse feita nos documentos do Banco Central que determinaram o fechamento do Master. E afirmou que poderia impedir a venda de ativos da instituição de Vorcaro a terceiros, o que – na prática – engessa a o processo de liquidação.

O relator afirma que a urgência que imprimiu ao caso (que interrompeu o recesso dos auditores) deve-se a uma requisição da Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros do próprio TCU. Ocorre que, segundo a colunista Malu Gaspar, de “O Globo”, “o próprio Jhonatan já havia negado esse mesmo pedido em maio passado. Na representação rejeitada, os técnicos avaliavam não a hipótese de uma ação apressada, mas sim de omissão ou demora em constatar os problemas do Master. Um outro de mesmo teor, realizado em maio de 2025, até agora não foi analisado por Jhonatan de Jesus”.

É curioso o interesse repentino do ministro sobre o tema. E preocupante a contradição constatada por “O Globo” na explicação do ministro sobre a necessidade de se imprimir velocidade ao processo.

O TCU não tem o poder de frear as decisões do Banco Central. Mas pode oferecer subterfúgios para que alguém que tenha esse poder zere o jogo. No caso, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

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