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Onde está a imparcialidade de Moraes ao procurar o BC para falar do Banco Master?

Aluizio Falcão Filho
22 de dezembro de 2025

Até agora (15h30), cerca de quatro horas após a publicação, ninguém contestou a notícia dada pela jornalista Malu Gaspar, de “O Globo”: o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para interceder em favor do Banco Master. A instituição financeira precisava da autorização do BC para ser vendida ao BRB, mas o órgão regulador segurou a aprovação do negócio.

Segundo a reportagem, Moraes procurou Galípolo pelo menos quatro vezes (três pelo telefone e uma pessoalmente). A nota afirma que essa sequência de colóquios foi confirmada por pelo menos seis fontes, das quais cinco souberam do ocorrido a partir de depoimentos de integrantes do Banco Central.

Um trecho do texto chama a atenção: “Na versão desses integrantes, Moraes fez pelo menos três ligações para saber do andamento da operação de venda para o BRB e, em julho deste ano, pediu que o presidente do BC fosse ao seu encontro. Nessa conversa, de acordo com o que o próprio ministro contou a um interlocutor, ele disse que gostava de [Daniel] Vorcaro e, repetindo um argumento que o banqueiro usava muito, afirmou que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos”.

Esta denúncia já é grave apenas pelo fato de um ministro do STF, que nada tem a ver com a situação do banco controlado por Vorcaro, ter procurado o presidente do BC para falar sobre tal assunto. Mas a coisa ganha outra proporção quando lembramos que a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com o Banco Master – entre suas atribuições, estava coordenar ações junto ao BC que envolveriam a instituição.

Já havia um desconforto na corte suprema quando se falava apenas no contrato entre Viviane e o banco de Vorcaro. Este caso, por si só, já era grave, pois configuraria um envolvimento da família de um ministro do STF em um caso de perfil alto. Quando a informação de que Moraes também conversou com Galípolo para ajudar Daniel Vorcaro, a coisa fica muito pior.

Enquanto não vem o código de conduta desejada pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, precisamos nos contentar com a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) caso queiramos analisar a conduta de um juiz. Segundo a Loman, que define os deveres éticos e funcionais dos juízes no país, Moraes agiu contra o artigo 35, inciso VIII. O texto diz que magistrados devem manter “conduta irrepreensível na vida pública e particular”. A norma busca evitar justamente situações de influência indevida ou conflitos de interesse que possam comprometer a imparcialidade do Judiciário.

O caso expõe uma fronteira que jamais deveria ter sido cruzada. Quando um ministro do Supremo usa seu prestígio institucional para interceder em favor de um banco que mantém contrato milionário com sua esposa, não estamos mais diante de um ruído ético e sim diante de um abalo direto à credibilidade da Corte. Se a Loman ainda significa algo, este é exatamente o tipo de situação que ela foi criada para coibir. O silêncio das autoridades envolvidas não diminui a gravidade; apenas amplia a urgência de respostas. O episódio, portanto, exige uma apuração transparente e rápida. A confiança pública no Judiciário depende da observância rigorosa das normas que regem a magistratura, especialmente quando envolvem potenciais conflitos de interesse. Cabe agora ao próprio Supremo demonstrar que seus mecanismos de controle interno são capazes de lidar com situações sensíveis como esta, reafirmando o compromisso da instituição com a ética, a imparcialidade e o interesse público.

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