A notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu apoiar a candidatura de seu filho Flávio à presidência da República muda todo o quadro eleitoral de 2026. A primeira consequência é retirar o governador Tarcísio de Freitas do páreo, deixando-o como franco favorito à reeleição estadual.
A entrada do senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial não deve mexer com a intenção de Ratinho Jr. de buscar o Palácio do Planalto. O governador paranaense foi sempre visto como um nome independente do bolsonarismo e deve continuar com sua campanha. Seu único empecilho aparente era a candidatura de Tarcísio. Caso ele realmente desista – a chance mais provável – Ratinho deve continuar.
A intenção de Bolsonaro é música para os ouvidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele vê a direita se fragmentar ainda mais e, de quebra, recebe um adversário que vai elevar o grau de polarização em 2026. Agora, aparentemente, haverá uma briga entre Flávio e Ratinho para ver quem iria para o segundo turno com Lula. O que dizem as pesquisas?
Nas enquetes, tanto os dois aparecem como possíveis nomes da direita para a disputa presidencial de 2026, mas com desempenhos semelhantes. Flávio, indicado pelo pai como herdeiro político, registra intenções de voto na faixa de 20% a 23% em cenários de primeiro turno, ficando atrás de Lula e também de outros nomes como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro. Em simulações de segundo turno, sua performance melhora um pouco, mas ainda não alcança o empate técnico com Lula, refletindo a dificuldade de superar a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro.
Ratinho Jr., por sua vez, mostra resultados ligeiramente mais competitivos. Em levantamentos como os da AtlasIntel e Paraná Pesquisas, ele aparece com cerca de 24% a 25% no primeiro turno, superando Flávio em quase todos os cenários. No segundo turno contra Lula, Ratinho chega a 40% das intenções de voto, aproximando-se mais do presidente do que de Flávio. Essa diferença sugere que, embora nenhum dos dois consiga ultrapassar Lula nas sondagens atuais, Ratinho Jr. é visto como um candidato com maior potencial de crescimento e menor rejeição nacional em comparação ao filho do ex-presidente.
Evidentemente, é preciso esperar agora uma nova rodada de pesquisas, Flávio e Ratinho competindo juntos, para termos uma ideia melhor de como será o desempenho eleitoral de ambos. O senador, no entanto, vai começar sua campanha tendo de enfrentar um problema antigo – a velha história da rachadinha dos tempos em que era deputado estadual no Rio de Janeiro.
Este episódio será amplamente explorado pelos oponentes e mostra que Jair Bolsonaro se preocupou mais em preservar o legado de seu sobrenome do que produzir um nome competitivo para derrotar Lula. Uma coisa, porém, é certa: o cenário foi destravado. O ex-presidente fez uma escolha e, agora, é cada um por si.