Marcelo Caumo (União) ganhou projeção no enfrentamento da catástrofe. PF encontrou R$ 411 mil em seu escritório
Após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), o ex-prefeito de Lajeado (RS) por dois mandatos, Marcelo Caumo (União, ex-PP), pediu nesta quinta-feira (13) afastamento do cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano. Ele estava no cargo desde abril.
A Operação Lamaçal, deflagrada na última terça-feira (11), apura crimes contra a administração pública e lavagem de capitais oriundos de desvio de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados à administração de Lajeado após as grandes enchentes ocorridas em maio de 202, quando o Rio Taquari subiu 33,66 metros e invadiu bairros inteiros.
A PF encontrou R$ 411 mil em espécie em seu escritório, em Lajeado. Ele não explicou a origem dos recursos. Caumo disse nas redes sociais que pediu o desligamento para se dedicar a fazer os esclarecimentos sobre as denúncias.
“Mesmo sem ter ciência ainda dos dados do processo, a gente vai fazer as defesas, mas fica com aquele sentimento de injustiça muito latente no coração”, disse o ex-prefeito, que esteve à frente da administração de Lajeado entre 2017 e 2023.
Operação
Segundo a PF, foram verificadas irregularidades em procedimento licitatório realizado pela prefeitura de Lajeado para contratação de empresa para a prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista. A dispensa da licitação foi realizada com a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município em 2024.
“Há indícios de que a contratação direta da empresa investigada tenha ocorrido sem observância da proposta mais vantajosa e os valores contratados estariam acima do valor de mercado”, diz a PF. O valor total dos contratos é de cerca de R$ 120 milhões.
Distante 115 quilômetros de Porto Alegre, Lajeado foi uma das cidades mais atingidas durante as enchentes no Rio Grande do Sul.
Ainda na terça-feira, o governo do Rio Grande do Sul informou em nota que a investigação não tem qualquer relação com a atuação de Marcelo Caumo na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do estado.
(Agência Brasil)
