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Falta de recursos e medo da violência afastam brasileiros da cultura

Da redação
12 de novembro de 2025
Estudo do Observatório Fundação Itaú e Datafolha revela que custos altos e insegurança limitam o acesso a atividades culturais presenciais, especialmente entre mulheres e classes mais baixas

Mais de 30% dos brasileiros deixam de frequentar espaços culturais por falta de dinheiro e por medo da violência. É o que mostra a 6ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha, divulgada nesta terça-feira (11).

A questão financeira é o principal obstáculo: 34% dos entrevistados dizem não ter recursos para arcar com atividades culturais. Logo atrás aparece a insegurança (31%), com destaque para o medo de assaltos e furtos (47%) e para a violência contra mulheres em trajetos e arredores de espaços culturais (21%) — índice que sobe para 28% entre as mulheres.

O custo que mais pesa no bolso é o preço dos ingressos (22%), seguido pelo transporte (19%). O impacto econômico é maior entre mulheres (36%) do que entre homens (33%).

Desigualdade e concentração nas capitais

Para Carla Christine Chiamareli, gerente do Observatório da Fundação Itaú, os dados refletem uma oferta desigual de equipamentos culturais no país.

“A maioria das atividades culturais está concentrada nas áreas centrais das capitais. Isso exige deslocamentos longos, e muitas vezes perigosos, o que agrava tanto a questão da segurança quanto do custo”, explica.

Ela defende o investimento em centros culturais periféricos como forma de ampliar o acesso:

“Os resultados reforçam a necessidade de levar a cultura para mais perto das comunidades. As pessoas valorizam e consomem cultura — falta democratizar o acesso e ampliar as opções gratuitas.”

Desigualdade racial e de renda

O levantamento também evidencia disparidades de raça, renda e escolaridade. Brancos tiveram mais acesso a cinema, teatro e museus do que negros no último ano. Entre as classes A/B, 93% participaram de alguma atividade cultural, contra 71% nas classes D/E.

A frequência em eventos ao ar livre lidera o consumo cultural (61%), seguida por shows de música (45%), festas populares (42%), cinema (37%) e atividades infantis (35%).

Os principais motivos para buscar experiências culturais presenciais foram relaxar e aliviar o estresse (44%), conhecer novos lugares (40%) e adquirir conhecimento (34%).

Cultura em casa e online

A modalidade digital segue forte: ouvir música online (85%), assistir a filmes (74%) e séries (70%) continuam no topo do consumo doméstico. Podcasts, novelas e livros impressos completam o ranking.

A pesquisa ouviu 2.432 pessoas de 16 a 65 anos, entre 11 e 26 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

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