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Geração Z troca os escritórios pelos bilionários

Lorena Scavone Giron
12 de novembro de 2025
Desencantados com a vida corporativa, jovens qualificados migram para o private staffing, atuando como babás, assistentes e chefs pessoais de ultrarricos. Salários começam em US$ 150 mil ao ano, mas a pressão é enorme

A nova ambição profissional da Geração Z não está nos escritórios envidraçados das metrópoles ou em algum confortável home office, mas nas residências — e resorts, restaurantes, iates, jatinhos, carrões — de bilionários. Segundo reportagem da Business Insider, publicação reconhecida por captar tendências globais, jovens qualificados estão abandonando empregos tradicionais em áreas como finanças, saúde e comunicação para atuar como babás, assistentes pessoais, chefs e gerentes domésticos para famílias ultrarricas.

A tendência – que pode nem chegar por aqui – reflete o desencanto crescente com o modelo corporativo e a busca por experiências de vida mais intensas e, claro, bem remuneradas. Há vagas que ultrapassam os US$ 250 mil anuais, com benefícios que incluem moradia, alimentação de chef, itens de vestuário, viagens e até carros fornecidos pelos empregadores.

Luxo, sigilo e longas jornadas

A reportagem cita o caso de Cassidy O’Hagan, de 28 anos, que deixou o setor de vendas médicas para trabalhar como babá de famílias bilionárias. Hoje, ganha entre US$ 150 mil e US$ 250 mil por ano (de R$ 65,9 mil a R$ 109,8 mil ao mês no câmbio de hoje), além de usufruir de hospedagem em resorts de luxo e deslocamentos em jatos particulares.

“Meu trabalho anterior nunca poderia competir com isso”, disse ela à publicação.

O setor de private staffing — o serviço doméstico de alto padrão — está em expansão. Brian Daniel, fundador da agência Celebrity Personal Assistant Network, afirma que há cerca de mil empresas especializadas no mundo, sendo metade delas nos Estados Unidos. “O apetite é insaciável. Cada bilionário precisa de um pequeno exército de pessoas para atender seus desejos”, afirmou.

Mas o luxo vem acompanhado de pressão. “O estresse pode ser maior que em Wall Street”, reconhece Daniel, lembrando que as funções exigem disponibilidade total, sigilo absoluto e um comportamento impecável nas redes sociais. É comum que funcionários assinem acordos de confidencialidade (NDAs) e vivam imersos nas rotinas das famílias, com pouco espaço para a vida pessoal.

O novo “sonho americano”

O movimento ganha força em um momento em que o mercado corporativo enfrenta cortes em massa e desvalorização de carreiras tradicionais. Uma pesquisa da Deloitte citada pelo Business Insider aponta que apenas 6% dos jovens da Geração Z desejam cargos de liderança. Já um levantamento da Empower mostra que eles associam sucesso financeiro a salários de cerca de US$ 600 mil anuais, uma meta quase inalcançável para o mundo corporativo comum.

Para muitos, atender os ultrarricos virou um atalho. O mesmo fenômeno atrai chefs de restaurantes cinco estrelas, ex-executivos e até doutores. “Tenho clientes com PhDs e ex-advogados que hoje trabalham como assistentes de bilionários”, diz Daniel.

Apesar das exigências e da rotina intensa, O’Hagan garante que o caminho valeu a pena. “Esse trabalho me deu estabilidade, propósito e uma conexão pessoal que eu nunca encontrei em nenhum escritório.”

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Comentários

Uma resposta

  1. Tenho certeza que qualquer Bilionário do mundo que tivesse o privilegio de comer um feijão preto, cozinhado com linguiça defumada e muito bem temperado com alho, cebola, louro etc……dispensaria muito chefe de cozinha.

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