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IA: o jornalismo nunca mais será o mesmo

Aluizio Falcão Filho
10 de janeiro de 2026

No final de 2025, fizemos uma reunião virtual entre nossa redação e especialistas em inteligência artificial. O tema: como utilizar a IA no dia a dia do portal MONEY REPORT. Comecei a reunião falando do meme que mostra uma lápide, com a seguinte inscrição: “aqui jaz a internet”,

A ideia de que a inteligência artificial pode acabar com a internet vem do impacto sobre o modelo atual de produção e acesso à informação online. Com assistentes virtuais e resumos gerados por IA, o tráfego de usuários na rede vai cair. O próprio Google, ao colocar a Gemini para responder às perguntas de usuários, acabou reduzindo o ímpeto de alguém clicar no primeiro link que aparece como resposta a uma busca.

Isso vai gerar uma necessidade inexorável por parte dos portais para se reinventar. O conteúdo, mais do que nunca, terá de ser interessante e diferente. Como em tudo aquilo que é afetado pela inteligência artificial, aqueles que não agregarem valor vão desaparecer.

Mas, além disso, o papel do jornalista em si deve mudar – e muito – com a IA. Em primeiro lugar, uma das habilidades primárias do profissional de comunicação (a sua capacidade de escrever bem) vai virar uma commodity. Em um futuro muito próximo, a qualidade dos textos gerados por IA vai atingir um nível de excelência absurdamente alto.

Com isso, os jornalistas terão de repensar o seu trabalho. Lembremos que, nesta profissão, há várias funções dentro de um veículo. Há quem tenha um talento muito grande para perguntar e investigar. Esses são os repórteres. Outros, amam escrever: os redatores. Temos também profissionais que reconhecem uma boa pauta, sabem deixar a matéria no tamanho ideal e possuem uma boa noção para agrupar assuntos. Estes ocupam posições de edição. Há, ainda, os que possuem um conhecimento técnico da língua portuguesa, que atuam como copidesques. Por fim, existem os grandes comandantes, que sabem como pilotar todos esses talentos – os diretores de redação ou os publishers (que também amarram o trabalho da redação com o do comercial dos veículos).

A inteligência artificial traz uma capacidade quase que infinita para que cada jornalista crie uma curadoria de conteúdo baseada em seus critérios de qualidade e pensamento. Quando os profissionais de imprensa dominarem plenamente a nova tecnologia, que poderá ser maleável à necessidade de cada curador, terá à disposição diariamente conteúdo sob medida para refletir sobre o tema que quiser.

Diante disso, cada jornalista poderá deixar de ser um mero intérprete entre suas fontes e o leitor; ao absorver uma quantidade razoável de dados, informações e opiniões filtradas, sua capacidade de criar novos conteúdos será praticamente ilimitada. Basta usar sua mente para interpretar a massa de material informativo que estará à disposição.

O jornalismo, portanto, não está morrendo e sim mudando de pele. A inteligência artificial não veio para enterrar a imprensa, mas para desafiar seus profissionais a irem além da zona de conforto. Num cenário em que escrever bem será apenas o ponto de partida, o diferencial estará na capacidade de pensar, conectar, interpretar e provocar. O jornalista do futuro próximo não será apenas um redator ou repórter: será um curador de ideias em meio a uma overdose de informação. Quem não entender isso corre o risco de ser enterrado ao lado da velha internet.

P.S.: a imagem que ilustra esse artigo foi criada com IA a partir da imagem de um repórter que todos lembram. Seu nome? Clark Kent. Seu alter-ego, o Super-Homem, terá poderes para se equiparar à capacidade praticamente interminável da Inteligência Artificial?

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