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Correios pedem R$ 20 bi para evitar colapso financeiro

Da redação
15 de outubro de 2025
Governo articula operação com bancos públicos e privados; Tesouro pode entrar como avalista

Os Correios enfrentam uma das piores crises de sua história recente e buscam um empréstimo de cerca de R$ 20 bilhões para cobrir o rombo nas contas entre 2025 e 2026. O valor, que equivale a quase todo o faturamento anual da estatal (R$ 18,9 bilhões em 2024), seria viabilizado com apoio do governo federal e articulação do Tesouro Nacional junto a bancos públicos e privados.

Segundo fontes próximas à negociação, o financiamento deve envolver Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e instituições privadas, com o Tesouro atuando como garantidor. O plano é anunciado como uma tentativa emergencial para manter as operações da empresa, que acumulou prejuízo de R$ 4,3 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025.

Plano de reestruturação e corte de custos

Em contrapartida ao aval do governo, a estatal será obrigada a executar um plano de reestruturação, que inclui um novo programa de demissão voluntária (PDV), redução de despesas operacionais e regularização de passivos trabalhistas, como dívidas com o INSS, o plano de saúde Postal Saúde e fornecedores.

O valor de R$ 20 bilhões cobriria as necessidades de caixa até 2026. “Não adianta ficar postergando ou escolhendo dívidas a pagar todo mês”, afirmou um técnico dos Correios ao O Globo.

Dívidas em escalada

Mesmo após captar R$ 2,35 bilhões em empréstimos nos últimos doze meses — entre Daycoval, ABC e um sindicato de bancos —, o caixa da empresa segue sob forte pressão. Parte dessas dívidas vence ainda em 2025, elevando o risco de inadimplência.

O balanço mais recente mostra passivos trabalhistas de curto prazo de R$ 4,2 bilhões e de longo prazo de R$ 9,5 bilhões, somando obrigações que incluem encargos, benefícios e débitos previdenciários.

Nova gestão tenta recuperar credibilidade

A crise motivou uma mudança no comando da estatal. Em julho, o ex-presidente Fabiano Silva dos Santos deixou o cargo após resistência em adotar medidas de ajuste, como fechamento de agências e cortes de pessoal. Em seu lugar, assumiu Emmanoel Schmidt Rondon, economista e funcionário de carreira do Banco do Brasil, com perfil técnico e alinhamento à Casa Civil.

A principal missão da nova diretoria é restabelecer o equilíbrio financeiro e reconstruir a credibilidade junto ao mercado. Um dos maiores desafios está no custo com pessoal, que somou R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre, alta de 9,3% frente ao mesmo período de 2024.

A expectativa é que os detalhes do novo financiamento sejam anunciados ainda nesta semana. Caso o Tesouro confirme o aval, o movimento deve abrir espaço para ajustes internos e renegociação de passivos, mas também aumenta o debate sobre a viabilidade de longo prazo da estatal.

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