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Ausência feminina na IA limita inovação

Lorena Scavone Giron
15 de outubro de 2025
Autoras de livro sobre inteligência artificial aplicada ao negócios mostram que diversidade é estratégica. Empresas inclusivas registram, em média, 19 pontos percentuais a mais em receitas no segmento

A revolução da inteligência artificial (IA) avança, mas carrega um desequilíbrio estrutural: a baixa presença de mulheres nas decisões e no desenvolvimento da tecnologia. Segundo um estudo da Laboratória, em parceria com a McKinsey, apenas 20% das novas vagas em tecnologia no Brasil são preenchidas por mulheres. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a presença feminina entre os formandos em cursos de computação caiu de 17,5% em 2012 para 15% em 2022.

Para Aline Lefol e Tiene Colins, autoras do livro “IA para Negócios – Guia prático para pequenas e médias empresas“, o tema vai muito além da representatividade. “Fomentar mulheres líderes em IA não é uma pauta de diversidade, mas uma necessidade estratégica para garantir inovação inclusiva, ética e sustentável”, afirma Lefol.

A escassez feminina, apontam as especialistas, tem impacto direto sobre a qualidade e os resultados das inovações. Pesquisas do Boston Consulting Group e da McKinsey reforçam que empresas com maior diversidade na liderança registram desempenho até 19 pontos percentuais superior em receitas de inovação e maior lucratividade média.

“Quando quem projeta os sistemas é um grupo homogêneo, a tecnologia reproduz os mesmos vieses e limitações”, explica Colins. “A inteligência artificial reflete as experiências de quem a constrói. Ignorar isso é comprometer a credibilidade e o potencial de transformação da própria tecnologia.

Autoria: Aline Lefol e Tiene Colins
208 páginas
Editora Labrador
Preços sugeridos: R$ 60 (impresso) e R$ 40 (Kindle)

Segundo a Fullstack Academy, mulheres ocupam apenas 24% dos cargos executivos no setor de IA e apenas 10% das empresas são comandadas por elas. O levantamento da Russell Reynolds Associates mostra ainda que, embora elas representem 30% da liderança em organizações centradas em IA, o número cai drasticamente em posições técnicas e de CEO.

Esses números preocupam diante da dimensão do mercado: o setor de IA no Brasil deve movimentar US$ 13,3 bilhões em 2024 e chegar a quase US$ 100 bilhões até 2033, segundo a Grand View Research. “Sem mulheres liderando, corremos o risco de construir um futuro tecnológico que perpetue desigualdades em vez de solucioná-las”, destaca Lefol.

Há, no entanto, sinais de mudança. Um relatório da Deloitte indica que a adoção de IA por mulheres deve alcançar paridade nos Estados Unidos até 2025, e o Brasil já conta com nomes em ascensão, como a cientista da computação Nina da Hora, referência no debate sobre justiça algorítmica. “Lideranças femininas unem excelência técnica e compromisso ético — e é essa combinação que o mundo da IA precisa para evoluir com responsabilidade”, observa Colins.

As autoras defendem que incluir mais mulheres na IA é uma decisão econômica e estratégica, especialmente em um país em que 97% das empresas são de pequeno porte e há previsão de R$ 23 bilhões em investimentos públicos em IA até 2028.

A diversidade é o motor da inovação sustentável. O futuro da inteligência artificial será mais justo, criativo e competitivo se for também mais feminino”, concluem Lefol e Colins.

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