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40% dos cargos vão desaparecer até 2029

Da redação
30 de julho de 2025
Avanço da inteligência artificial e da automação exige que profissionais se adaptem; empresas enfrentam desafios para contratar para cargos estratégicos

Uma transformação silenciosa, mas profunda, está em curso no mercado de trabalho. A chamada quarta revolução industrial, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial (IA), automação e novas tecnologias, promete eliminar até 40% das funções existentes nos próximos quatro anos. A previsão é do especialista em gestão de pessoas Ricardo Sousa, diretor-geral do Grupo Soares e da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Goiás (ABRH-GO).

A estimativa reflete uma realidade já percebida pelas empresas. Uma pesquisa da consultoria Robert Half mostra que, em 2025, as funções mais buscadas no Brasil se concentram em áreas estratégicas, como analista contábil, engenheiro de vendas, desenvolvedor back-end, gerente de marketing e diretor financeiro. Apesar de salários elevados, que podem ultrapassar R$ 90 mil em grandes centros, o preenchimento das vagas é lento. Em Goiás, segundo Ricardo, a contratação para cargos estratégicos pode levar até seis meses.

A dificuldade está relacionada às mudanças no perfil das competências exigidas. Segundo o especialista, a transformação ainda está no início, mas já exige um novo olhar de empresas e profissionais. “O mercado ainda não passou por toda a mudança. A inteligência artificial vai substituir atividades repetitivas e operacionais, exigindo do profissional habilidades como pensamento estratégico, criatividade e capacidade de lidar com incertezas”, afirma.

Repertório será mais importante que saber técnico

A presença da IA não elimina a necessidade de pessoas, mas muda o papel de cada geração no ambiente profissional. Segundo Ricardo, cinco gerações hoje convivem no mercado de trabalho. Enquanto os mais jovens dominam ferramentas digitais, os mais experientes têm repertório, visão de processo e maior capacidade de formular comandos eficazes para as ferramentas de IA.

“A inteligência artificial é literal. Para obter bons resultados, é preciso saber pedir. Isso depende de repertório, não só de conhecimento técnico”, diz ele. Para as gerações mais novas, o desafio será desenvolver habilidades humanas, como pensamento crítico e resolução de problemas complexos.

Nova estrutura nas empresas

Para se adaptar às rápidas transformações tecnológicas, o Grupo Soares, por exemplo, está implementando uma série de mudanças internas focadas na digitalização e na reorganização de seus processos. A empresa deu início a um plano de modernização estruturado em três etapas, com o objetivo de alinhar suas operações às inovações impulsionadas pela digitalização e pelo avanço da inteligência artificial.

Na primeira fase, está sendo feita a substituição e atualização de sistemas de gestão nas diferentes unidades da holding, com foco em padronizar ferramentas operacionais e integrar dados entre as áreas. A expectativa é melhorar o acompanhamento de desempenho e reduzir gargalos nos processos administrativos e logísticos.

A segunda etapa envolve a implantação de ferramentas de Business Intelligence (BI), voltadas para análise de dados e apoio à tomada de decisão. Segundo a empresa, a ideia é construir relatórios mais consistentes e visualmente padronizados, com acesso facilitado para diferentes níveis da administração.

Já na terceira fase, ainda em andamento, a empresa estuda a aplicação prática de inteligência artificial em seus processos e investe na identificação de startups com soluções tecnológicas alinhadas ao seu negócio. Parte dessa iniciativa está sendo viabilizada por meio de um fundo de investimento de venture capital criado pela empresa em parceria com a gestora Bossa Invest, com o objetivo de captar recursos e adquirir participação em empresas inovadoras.

As mudanças fazem parte da preparação para enfrentar um cenário de maior automação e exigência de respostas rápidas por parte das empresas. “Estamos mapeando ferramentas e tecnologias que possam melhorar a gestão e tornar a empresa mais preparada para um cenário mais digitalizado”, afirmou Ricardo Sousa, diretor-geral do grupo.

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