Relatório global da Gallup mostra que funcionários remotos se sentem mais conectados às empresas, mas enfrentam maior carga emocional e isolamento
Funcionários que atuam totalmente remotamente estão entre os mais engajados com o trabalho, segundo o relatório State of the Global Workplace 2025, produzido pela Gallup. A pesquisa ouviu cerca de mil trabalhadores em cada um dos 160 países analisados e identificou que um terço dos profissionais remotos afirma ter alto comprometimento com a empresa.
Entre os trabalhadores híbridos, esse índice é de 23%. Já os profissionais que atuam presencialmente, mesmo podendo exercer suas funções de forma remota, são os menos engajados. Apenas 19% relataram se sentir comprometidos com suas organizações.
Além do engajamento, o relatório analisou os níveis de estresse e encontrou um dado importante. Entre os trabalhadores remotos, 45% disseram ter sentido muito estresse no dia anterior à pesquisa. Esse percentual é maior do que o observado entre profissionais que trabalham presencialmente.
Segundo os pesquisadores, o engajamento está ligado à autonomia. Funcionários que têm mais controle sobre seu tempo e suas tarefas tendem a se sentir mais motivados e conectados com a empresa. No entanto, essa liberdade também pode gerar pressões e dificuldades na gestão do tempo, especialmente quando o trabalho exige interação constante com outras pessoas.
A coordenação de tarefas por meio de reuniões virtuais e trocas digitais pode ser desgastante. A chamada “fadiga do Zoom”, que ganhou destaque durante a pandemia, é um exemplo desse efeito. A colaboração online nem sempre substitui com eficácia as interações presenciais e pode gerar frustração dependendo do tipo de atividade.
Outro ponto levantado pelo estudo é o impacto emocional do distanciamento. Trabalhadores totalmente remotos tendem a relatar mais solidão e tristeza em comparação com os que atuam de forma híbrida ou presencial. A ausência de interações sociais, como refeições em grupo, conversas informais e vínculos pessoais, afeta a percepção de bem-estar no ambiente profissional.
A Gallup destaca que o isolamento pode contribuir para emoções negativas como tristeza e raiva. A falta de apoio social no trabalho remoto pode tornar a experiência mais difícil do ponto de vista emocional e psicológico.
Passar tempo com outras pessoas continua sendo um fator importante para o bem-estar. A pesquisa conclui que, embora o trabalho remoto ofereça vantagens em termos de flexibilidade e engajamento, também exige atenção à saúde mental dos profissionais.
