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Vitória é a única capital ‘ótima’ em transparência

Da redação
16 de julho de 2024
Por meio de seis critérios, estudo revela que sedes estaduais brasileiras apresentam graves deficiências na divulgação de gastos

Capital do Espírito Santo, Vitória foi a única a receber a classificação “ótima” no Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) da Transparência Internacional, conforme relatório divulgado nesta terça-feira (16). O estudo ressalta a importância de redobrar o compromisso com a transparência em anos eleitorais devido aos riscos de corrupção associados aos gastos com obras públicas e Emendas Pix, que podem influenciar o resultado das eleições.

Panorama brasileiro

O estudo revela que as capitais brasileiras apresentam graves deficiências na divulgação de gastos com obras públicas, utilizando seis critérios para avaliação: Legislações, Plataformas, Administrativo e governança, Obras públicas, Transparência financeira e orçamentária, e Comunicação, engajamento e participação. Entre as capitais, Vitória destacou-se com uma nota de 98,6, muito acima das demais.

De acordo com a Transparência Internacional, três em cada quatro capitais têm níveis “regular” ou “ruim” de transparência, afetando cerca de 21,4 milhões de brasileiros — uma população comparável à de Minas Gerais — que vivem em cidades com índices inadequados de transparência.

Piores desempenhos

Teresina (PI) e Macapá (AP) não divulgam informações sobre suas obras públicas, não pontuando neste indicador. Apenas Vitória e Belo Horizonte (MG) possuem plataformas específicas com informações detalhadas sobre execução orçamentária, valores pagos e medições do andamento das obras.

A instituição alerta que a falta de transparência em obras e no recebimento de emendas parlamentares pode “distorcer a resposta das urnas”. Detalhes sobre contratações, licitações, licenças ambientais e concessões de incentivos fiscais são essenciais para a disseminação adequada de informações públicas.

Fiscalização e estudos de impacto

Das 25 capitais avaliadas, oito são transparentes em relação aos fiscais dos contratos, publicando nomes e registros profissionais, ou CPF dos fiscais. Essas capitais são Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), João Pessoa (PB), Rio Branco (AC), São Luiz (MA) e Vitória (ES). O Distrito Federal e Porto Alegre não foram avaliados devido às enchentes recentes.

Cinco capitais publicam estudos e relatórios de impacto das obras públicas: Vitória, São Paulo (SP), Recife (PE), Campo Grande (MS) e Boa Vista. Esses relatórios incluem o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).

Riscos das Emendas Pix

As emendas parlamentares via Pix, que transferem recursos diretamente às prefeituras e governos estaduais antes da realização de projetos, apresentam alto risco de corrupção. A maior parte das capitais não é transparente sobre essas emendas, com exceção de Vitória, João Pessoa, Recife e São Luís, que divulgam informações completas sobre as emendas dos vereadores ao orçamento municipal.

No caso específico das Emendas Pix, apenas João Pessoa e Vitória foram consideradas transparentes, publicando detalhes sobre as transferências especiais destinadas por parlamentares estaduais ou federais.

Maria Dominguez, coordenadora do Programa de Integridade e Governança Pública da Transparência Internacional – Brasil, destaca a crescente relevância das Emendas Pix no orçamento federal repassado aos municípios, especialmente em anos eleitorais. “Essas transferências aumentaram e são investidas em obras e projetos de infraestrutura de grande visibilidade para maximizar o retorno eleitoral de candidatos”, afirma Dominguez.

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