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Último navio de resgate de refugiados no Mediterrâneo encerra operações

Último navio de resgate de refugiados no Mediterrâneo encerra operações

PARIS (Reuters) – O Aquarius, último navio de resgate de refugiados atuante no Mar Mediterrâneo, encerrou as operações, informou a organização não governamental francesa Médicos Sem Fronteiras (MSF) na noite de quinta-feira, atribuindo a decisão à pressão da Itália e de outros países.

“Esse é um dia lamentável”, disse Nelke Mander, diretora-geral do MSF, em um comunicado. “O fim de nossas operações a bordo do Aquarius significará mais mortes no mar, mortes que são evitáveis e sem testemunhas”.

A decisão de atracar o Aquarius é resultado de uma “campanha de difamação, calúnia e obstrução constante” do governo italiano contra o MSF e a SOS Mediterrâneo, e apoiada por outros países europeus, disse a ONG.

Recentemente o Aquarius foi acusado de traficar dejetos e de atividades criminosas — acusações que o MSF disse serem “ridículas”.

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, interditou os portos do país várias vezes ao Aquarius, obrigando-o a navegar durante dias com dezenas de refugiados resgatados para encontrar um porto em outros países.

Salvini se recusou a acolher mais imigrantes do Aquarius, exigindo que outras nações da União Europeia recebam uma parcela destes. Ele também disse que navios de resgate como o Aquarius incentivam pessoas a se lançarem ao mar para viajar rumo à Europa.

O continente testemunhou o maior influxo de pessoas em décadas nos últimos três anos, muitas fugindo de conflitos e da pobreza no Oriente Médio e na África. As chegadas pelo mar diminuíram drasticamente, mas as ondas de choque políticas ainda reverberam.

O navio foi licenciado em fevereiro de 2016 e resgatou quase 30 mil pessoas em águas internacionais no litoral da Líbia, Malta e Itália. A embarcação está ancorada em Marselha desde 4 de outubro, e transferiu 58 imigrantes para Malta durante sua última missão.

A MSF estima que 2.133 pessoas morreram tentando atravessar o Mediterrâneo em 2018, a maioria embarcando da Líbia.

(Por Inti Landauro)

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