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O CEO Improvável: Robert Stigwood

O que as bandas Bee Gees e Cream, os musicais “Hair” e “Jesus Christ Superstar” e os filmes “Grease” e “Saturday Night Fever” têm em comum? O produtor musical Robert Stigwood, o nosso CEO Improvável da semana. Stigwood, um australiano que morou quase toda a sua vida na na Inglaterra, começou sua carreira nos anos 1950, produzindo peças de teatro e empresariando artistas.

Na virada da década, antes de completar 30 anos de idade, fez um acordo com a EMI que deu muita visibilidade à RSO (Robert Stigwood Organisation) no mercado britânico. Essa proeminência o levou, em 1967, a assinar um contrato para se tornar sócio da NEMS Enterprises. Para quem não está ligando o nome à pessoa, a NEMS era a empresa de Brian Epstein, naquela época empresários dos Beatles.

Durante alguns meses, Stigwood e Epstein tentaram trabalhar juntos. Mas os quatro integrantes dos Beatles não gostaram da ideia. Para piorar, Epstein morreu de overdose de barbitúricos em agosto daquele ano, pouco depois de ter sido lançado o disco “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”.

O negócio, então, foi desfeito e Stigwood priorizou o trabalho de três pupilos, os irmãos Barry, Maurice e Robin Gibb. O trio, que começara a carreira ainda na Austrália sob o nome de Brothers Gibb, trocou o nome para BGs e depois para Bee Gees.

Os anos 1970 vieram e ele investiu em musicais, tanto nos palcos como na tela. E colecionou sucessos como “Hair”, “Jesus Christ Superstar” (que tinha como Maria Madalena a cantora Yvonne Elliman) e “Tommy”, a ópera-rock do The Who.

Um de seus funcionários, após o sucesso de “Tommy”, lhe apresentou uma reportagem publicada na revista New York, “The Tribal Rites of the New Saturday Night”. Ele resolveu comprar os direitos do texto e mandou que escrevessem um roteiro de cinema. Nascia ali o filme “Saturday Night Fever”, que no Brasil foi rebatizado como “Os Embalos de Sábado à Noite”.

Stigwood teve a ideia de contratar John Travolta, até então um ator de televisão, e John Avildsen para a direção da película. Avildsen, que havia dirigido “Rocky, um Lutador”, estava em alta em Hollywood e quis trocar todos os conceitos do produtor do filme. Primeiro, implicou com Travolta. Depois, quis mudar o roteiro para tirar todas as cenas gravadas dentro da discoteca (justamente aquelas que ficaram na memória das pessoas). Por fim, mexeu no vespeiro maior: mandou uma carta a Stigwood dizendo que os Bee Gees eram uma banda brega e queria bani-los da trilha sonora.

Diante da falta total de sensibilidade de Avildsen (mexer com a banda empresariada por seu produtor é flertar com o desastre), Stigwood demitiu o diretor de “Rocky” na mesma semana em que ele ganhou o Oscar por seu trabalho na película estrelada por Sylvester Stallone.

No final das contas, o australiano estava certo. As pessoas lembram de Travolta, das cenas de dança e das músicas dos Bee Gees. E ninguém se recorda que o filme tem consumo de drogas, manifestações claras de preconceito racial, cenas de gang bang, tentativa de estupro e até suicídio. O novo diretor, John Badham, que depois faria “Jogos de Guerra”, manteve as ideias de Stigwood e colocou sua assinatura em um clássico do cinema.

Stigwwod colecionaria outros sucessos, como “Grease” e fracassos como “Sgt. Peppers”, um filme com Peter Frampton e os Bee Gees baseado na obra dos Beatles. Morreu aos 81 anos, em 2016, riquíssimo e sócio do bilionário Rupert Murdoch. Não deixou herdeiros e nunca foi casado, sempre sob rumores de que seria gay. Stigwood representou uma estirpe de produtores que não existe mais: aquele que agia por instinto e confiava em suas ideias sem ligar para pesquisas e palpites de assessores. Um empreendedor nato com alma de CEO. E fiel aos amigos.

Quando finalizava a trilha sonora de “Embalos”, ouviu uma canção dos Bee Gees que entraria seleção final. Lembrou-se de Yvonne Elliman, que havia trabalhado com ele em “Jesus Christ” e disse a Barry Gibb para dar a música a ela. Era “If I Can’t Have You”. Na voz de Elliman, o compacto ficou em primeiro lugar nas paradas americanas. A versão dos Bee Gees ficou fora do álbum duplo e é considerada inferior à faixa imposta pelo empresário da banda. Esse episódio mostra que um grande CEO não precisa ser frio e calculista para enfileirar um sucesso atrás do outro. Basta ter a capacidade de enxergar o talento onde ele está.

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