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Drogas, MST, Twitter Files e foro privilegiado, as respostas de Lira ao Planalto

Da redação
18 de abril de 2024
Ao dar espaço às pautas conservadoras, presidente da Câmara usa seu cargo com dureza para marcar posição

A relação abalada entre o Executivo e o presidente da Câmara e líder do Centrão, Arthur Lira (Progressistas-AL), provoca um ensaio de forte reação, com a apresentação de pautas que contrariam os interesses do governo no Legislativo, além de brecar parcialmente o ativismo do Judiciário. Lira atacou e pediu a cabeça do ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais, após ser criticado sobre a vitória apertada na manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão (PL-RJ), suspeito de mandar assassinar a vereadora do Rio Marielle Franco (Psol), em 2018. As discussões vão bem além dos vetos que usualmente ocorrem. O que está em jogo é a relação com a base frágil do governo às vésperas das eleições municipais.

Como Lula manteve Padilha no cargo, Lira arma uma ofensiva parlamentar ao abrir comissões de inquérito e colocar em votação temas que podem terminar em derrota dos progressistas do governo ante a atual bancada fortemente conservadora. Todos os vetos presidenciais devem ser apreciados em agosto.

As bombas liristas
  • Foro privilegiado: Lira sinalizou a criação de um grupo de trabalho (GT) para discutir propostas, o que deverá aguardar manifestação de outros parlamentares em busca de maioria. O tema tem sido debatido no Supremo Tribunal Federal (STF) e ganhou peso após a prisão do deputado Brazão sob um flagrante que pode ser contestado. Os componentes do GT podem ser definidos no próximos dias.
    – Entre todas as pautas capazes de apertar o governo, esta teria o caminho mais fácil e deve receber mais atenção.
    – A Câmara deseja reduzir o foro para que parlamentares escapem do STF, enquanto a alta corte responde considerando a extensão do privilégio para além do mandato, limitando os parlamentares diante da dureza dos ministros.

  • PEC das Drogas: na contramão dos países desenvolvidos, a Câmara pode acelerar a tramitação da proposta aprovada por ampla maioria na terça-feira (16) que criminaliza o porte a posse de quaisquer substâncias ilícitas, incluindo maconha para uso pessoal. A iniciativa contraria a tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) pela descriminalização da marijuana.
    – A medida é uma bandeira da bancada da bala.
    – Por se tratar de uma emenda, a alteração escaparia de um veto presidencial.


  • MST: o plenário aprovou, na terça (16), em regime de urgência, um projeto de lei para sancionar invasores de terras em áreas rurais e urbanas como forma de enquadrar ativismos sociais, principalmente o Movimento dos Sem Terra (MST), que apoiou a eleição de Lula em 2022.
    – A pauta é uma bandeira da bancada ruralista.

  • Twitter Files Brasil: possibilidade de uma audiência pública com o jornalista Michael Shellenberger, que teria uma dossiê que acusa o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de cercear a liberdade de expressão.
    – Shellenberger já se retratou e retirou as denúncias publicamente.

  • Saidinhas: Congresso derrubou as saidinhas de presos em datas comemorativas. Lula vetou alguns pontos e pode ser derrotado, mesmo contando com a simpatia do STF. A pauta é da bancada da bala.
    – O caso pode criar problemas de segurança pública em série para os governadores, que administram a maioria das penitenciárias.

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