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Italianos fazem fila para votar em eleição que pode levar a impasse político

ROMA (Reuters) – Italianos esperaram em longas filas neste domingo para votar em uma eleição que pode levar a um impasse político após uma campanha eleitoral marcada pela raiva em relação à apática economia, o alto desemprego e a imigração.

Pesquisas de opinião previram que o partido de centro-direita do ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi e seus aliados de extrema direita emergirão como maior bloco no Parlamento, mas sem obter a maioria.

O Movimento 5 Estrelas, anti-establishment, parece posicionado para se firmar como maior partido único, alimentando-se do descontentamento pela corrupção arraigada e aumento da pobreza, enquanto o Partido Democrático (PD) de centro-esquerda, hoje no poder, é visto em terceiro lugar.

Berlusconi e Luigi Di Maio, líder do 5 Estrelas, tiveram que esperar na fila para votar, pois novos procedimentos eleitorais tornaram o processo mais lento em vários locais.

Na estação de votação de Berlusconi em Milão, uma ativista do Femen fez um protesto contra ele com o tronco descoberto e gritou “tempo acabou”, antes de ser levada.

“Ela passou tão rápido que não tive a chance de vê-la”, disse Berlusconi, que já teve seu nome ligado a escândalos sexuais.

Berlusconi também disse que estava preocupado com as filas.

“Também haverá filas nesta noite. Estou preocupado com a possibilidade de algumas situações em que algumas pessoas não poderão votar”, afirmou.

Em Roma, muitos ficaram na fila por mais de uma hora antes de conseguirem votar. A prefeitura convidou os moradores da capital a se apresentarem bem antes das urnas serem fechadas, às 23h do horário local (19h de Brasília), para que consigam votar com segurança.

Os números preliminares mostraram participação dos eleitores acima de 58 por cento. A marca é superior à atingida cinco anos atrás, quando os italianos votaram em dois dias. Em 2013, a participação final foi superior a 75 por cento.

A fortemente endividada Itália é a terceira maior economia dentre os 19 membros da zona do euro, e ainda que os investidores tenham estado otimistas antes da eleição, o impasse político prolongado pode reavivar a ameaça da instabilidade do mercado.

No sinal mais recente de clima de divisão antes das eleições, algumas casas em Pavia, perto de Milão, foram marcadas durante a noite com adesivos que diziam “Aqui vive um anti-fascista”.

Movimentos neofascistas têm ganhado terreno na Itália, onde um simpatizante nazista feriu seis africanos no mês passado em um tiroteio.

As pesquisas de boca de urna sairão imediatamente após o término da votação. A eleição está sendo realizada sob uma complexa nova lei eleitoral que pode significar que o resultado final não ficará claro até a noite de segunda-feira.

A confusão por conta da nova lei levou a erros em 200 mil cédulas de voto que tiveram que ser reimpressas durante a noite em Palermo, onde alguns locais de votação atrasaram sua abertura em meio a protestos de eleitores.

Também houve relatos de cédulas erradas em um local de votação em Roma.

A campanha marcou o retorno à linha de frente da política de Berlusconi, 81 anos, forçado a renunciar como primeiro-ministro em 2011 no auge de uma crise da dívida.

Uma condenação por fraude fiscal em 2013 impediu que ele ocupasse cargos públicos e, por isso, Berlusconi apresentou Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, como seu candidado a primeiro-ministro.

(Por Steve Scherer e Crispian Balmer)

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