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O homem pobre, o homem rico e a mágica dos juros compostos — sete anos fazem toda a diferença

O homem pobre, o homem rico e a mágica dos juros compostos — sete anos fazem toda a diferença

Comece cedo

Nota do editor

Richard Russell, morto em 2015, foi um dos maiores escritores do mundo das finanças. Sua carta de investimentos, a Dow Theory Letter, era publicada, desde 1958, regularmente a cada três semanas, disponível apenas para assinantes.

A assinatura custava US$ 300 por ano (um preço extremamente alto para os padrões). Ele tinha 12 mil assinantes. 

Mas eis o principal: ele jamais fez nenhuma propaganda. Era tudo boca a boca. Seu histórico de previsões acertadas para a bolsa e para os metais preciosos garantiu sua reputação.

Seu artigo sobre o efeito dos juros compostos se tornou um clássico do mercado financeiro. Quem o lê muda para sempre sua visão a respeito das finanças e, principalmente, da importância de se poupar e investir desde cedo.

Faça um bom uso.

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De tudo o que já publiquei durante os 40 anos em que escrevi essas cartas, o artigo intitulado “Rich Man, Poor Man” (Homem Rico, Homem Pobre) foi, de longe, o mais popular.

Recebi dezenas de pedidos para republicar esse texto novamente ou para autorizar sua divulgação para várias pessoas e empresas. 

Portanto, aqui vai.

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Ganhar dinheiro envolve muito mais do que prever corretamente para qual direção os mercados de ações ou de títulos estão caminhando. Ou tentar descobrir qual ação ou fundo irá dobrar de valor nos próximos anos. Para a grande maioria dos investidores, ganhar dinheiro requer um plano, autodisciplina e desejo. 

Digo “para a grande maioria das pessoas” porque, se você é o Steven Spielberg ou o Bill Gates, não precisa conhecer nada sobre o mercado financeiro, sobre rendimento dos títulos e sobre a relação preço/lucro de cada acao. Você é um fenômeno em seu próprio campo e ganhará muito dinheiro como consequência de seu talento e de sua capacidade. 

Mas esse tipo de gênio é raro. 

O investidor médio, como você e eu, não é gênio; por isso, precisamos ter um plano financeiro. Em vista disso, ofereço abaixo alguns itens dos quais devemos estar cientes se realmente quisermos levar a sério a questão de ganhar dinheiro. 

Regra número 1: juros compostos

Uma das lições mais importantes para se viver no mundo moderno é que, para sobreviver, é preciso ter dinheiro. Mas para viver (sobreviver) com felicidade, é preciso ter amor, saúde (mental e física), liberdade, estímulo intelectual – e dinheiro. 

Quando ensinei meus filhos sobre dinheiro, a primeira coisa que lhes ensinei foi o uso da “bíblia do dinheiro”. 

Qual é a bíblia do dinheiro? Simples: é uma tabela de juros compostos. A composição é o caminho real para a riqueza. 

Saber fazer uso da mágica dos juros compostos é o caminho seguro. E garantido. E, felizmente, qualquer um pode fazê-lo. 

Para usufruir com sucesso dos juros compostos, você precisa do seguinte: perseverança para se manter firmemente no hábito da poupança. Inteligência para entender o que está fazendo e por quê. E conhecer a matemática básica para compreender as recompensas surpreendentes que virão caso você se mantenha fielmente na estrada dos juros compostos. 

Por fim, é claro, você precisa de tempo; tempo para permitir que o poder dos juros compostos funcione para você. Lembre-se de que a composição dos juros só funciona ao longo do tempo. 

Mas existem dois aspecto no processo da composição dos juros. 

O primeiro é óbvio: o processo pode envolver sacrifício (você não pode gastar dinheiro e ao mesmo tempo poupá-lo). 

Segundo: esperar o efeito dos juros compostos é algo chato – muito chato. Ou, melhor dizendo, é chato até (depois de sete ou oito anos) o dinheiro começar a chegar. 

Aí então, acredite, o efeito dos juros compostos se torna muito interessante. De fato, torna-se absolutamente fascinante! 

Para enfatizar o poder dos juros compostos, incluo este estudo extraordinário, cortesia da Market Logic, de Fort. Lauderdale. 

Neste estudo, supomos que o investidor (B) abre um fundo de previdência aos 19 anos. Por sete anos consecutivos, ele deposita anualmente $ 2.000 em seu fundo, o qual rende uma taxa média de 10% ao ano. 

(Repare que não precisa ser necessariamente um fundo de previdência. Pode ser qualquer investimento que gere 10% ao ano, o que inclui também ter um próprio negócio, com novos investimentos de $ 2.000 a cada ano. No atual momento do Brasil, mesmo com a Selic em níveis historicamente baixos, há CDBs de bancos pequenos, disponíveis em corretoras, que pagam até 11% ao ano).

E agora vem o ponto principal: após sete anos, esse cidadão NÃO faz mais nenhum aporte anual – ele terminou.

Um segundo investidor (A) não faz nenhum aporte até os 26 anos (que é exatamente a idade em que o investidor B acabou de terminar seus aporte). E então A começa fielmente a aportar $ 2.000 todos os anos — até os seus 65 anos (recebendo a mesma taxa de juros de 10% ao ano).  

Agora, compare os resultados incríveis: B, que começou seus aportes mais cedo (sete anos antes) e que fez apenas sete aportes, termina tendo ganhado mais dinheiro do que A, que fez 40 aportes, mas começando sete anos mais tarde.

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A diferença entre os dois é que B teve sete anos a mais de efeito dos juros compostos do que A. Aqueles sete primeiros anos valeram mais do que todas as 33 contribuições adicionais feitas por A.

Este é um estudo que eu energicamente sugiro que você mostre aos seus filhos. Trata-se de um estudo que reitera um fato: quanto mais cedo você começar a poupar e investir, mais rico será. Trata-se de um estudo com cujas premissas eu segui em minha e posso garantir: “Funciona”. 

Você pode trabalhar seu juros compostos com títulos públicos, com um bons fundos multimercados, com fundos de ações e, por que não?, abrindo um próprio negócio e reinvestindo seus proventos.

(Nota do editor: como adendo, vale ressaltar que, no atual momento do Brasil, mesmo com a taxa Selic em níveis historicamente baixos, há CDBs de bancos pequenos, disponíveis em corretoras, que pagam até 11% ao ano).

Regra número 2: Não perca dinheiro

Isso pode parecer ingênuo, mas acredite, não é. 

Se você quer ser rico, não deve perder dinheiro — ou, devo dizer, não deve perder muito dinheiro. 

Parece uma regra absurda, boba? Talvez, mas a maioria das pessoas perde dinheiro em investimentos desastrosos, em consumo supérfluo, em negócios insensatos, em ganância desmedida e até mesmo por terem um timing ruim. 

Depois de quase cinco décadas investindo e conversando com investidores, posso assegurar que, de fato, a maioria das pessoas definitivamente perde dinheiro, e muito – com ações, com opções, com o mercado de futuros, em imóveis, em empréstimos ruins, em jogatina, em apostas, em esquemas de pirâmides e em seus próprios negócios.

Regra número 3: Homem rico, homem pobre 

No mundo dos investimentos, o investidor rico tem uma grande vantagem sobre o pequeno, sobre o amador da bolsa, e sobre o trader neófito. A vantagem de que o investidor rico desfruta é que ele não precisa dos mercados. 

A diferença que isso faz, tanto na atitude mental quanto na maneira como alguém lida com o dinheiro, é avassaladora. 

O investidor rico não precisa dos mercados porque ele já tem toda a renda de que precisa. Ele tem dinheiro entrando através de seus títulos (públicos e privados), fundos multimercado e de ações e imóveis. Em outras palavras, o investidor rico nunca se sente pressionado a “ganhar dinheiro” no mercado. 

O investidor rico tende a ser um especialista em valores. Quando os preços dos títulos estão baratos e os juros que eles pagam estão irresistivelmente altos, ele compra títulos. Quando as ações estão uma barganha e seus dividendos, atrativos, ele compra ações. Quando ele visualiza que haverá grande demanda por imóveis, ele compra imóveis. Quando obras de arte, joias finas ou ouro estão a preços de oferta, ele compra arte, diamantes ou ouro. Em outras palavras, o investidor rico coloca seu dinheiro onde estão os grandes valores.

E se nenhum ativo estiver disponível a valores atraentes, o investidor rico espera. Ele pode se dar ao luxo de esperar. Ele tem renda passiva entrando diariamente, semanalmente, mensalmente. O investidor rico sabe o que está procurando, e não se importa em esperar meses ou até anos pelo próximo investimento (eles chamam isso de ‘paciência’).

Mas e o pequeno investidor? Este cidadão sempre se sente pressionado a “ganhar dinheiro”. E, consequentemente, ele está sempre pressionando o mercado a “fazer algo” por ele. Mas, infelizmente, o mercado não está interessado. Quando este sardinha (que é o oposto do tubarão) não está comprando ações que oferecem rentabilidades de 1% ou 2%, ele está comprando títulos de capitalização, bilhetes de loteria ou, onde permitido, perdendo dinheiro em cassinos. Ou então está “investindo” em algum esquema de pirâmide de “retorno alto e garantido” sobre o qual seu vizinho lhe falou (com a maior confidencialidade, é claro). 

E dado que este sardinha está tentando forçar o mercado a fazer algo por ele, é garantido que ele vai perder. Como o cidadão não entende nada sobre quais são os valores corretos de cada ativo, ele constantemente paga caro. Ele está sempre comprando caro. E ruim. Ele não compreende o poder dos juros compostos. Ele não entende de dinheiro. Ele nunca ouviu o ditado: “Quem entende de juros ganha juros. Quem não entende de juros paga juros”. Ele é o cidadão médio típico, e está afundando em dívidas.

Como resultado, ele está sempre suando – suando para pagar as prestações da geladeira, do carro, da televisão e, é claro, da casa própria (ele não admite morar de aluguel). Ele é impaciente e se sente perpetuamente explorado. Ele diz a si mesmo que precisa ganhar dinheiro, e rápido. E então ele se entrega a essas promessas de “ganhos rápidos, fáceis e garantidos” [nos dias de hoje, essas promessas são feitas por traders de YouTube]. 

No final, o sardinha perde seu dinheiro no mercado ou em esquemas fraudulentos. Em suma, esse “nerd do dinheiro” passa a vida tentando subir por uma escada rolante que desce.

Mas aqui está a parte irônica de tudo. Se, desde o início, este cidadão tivesse adotado uma política estrita de jamais gastar mais do que ganha, e se ele tivesse pegado essa poupança extra, investido em títulos geradores de renda, e usufruído dos juros compostos, então, com o tempo, ele passaria a receber dinheiro diariamente, semanalmente, mensalmente, assim como o homem rico. 

O rapaz teria se tornado um vencedor financeiro, em vez de um derrotado patético.

Regra número 4: valores

O único momento em que o investidor médio deve se afastar do sistema básico de juros compostos é quando um determinado mercado oferece um valor excepcional. 

Considero que um investimento é de grande valor quando oferece (a) segurança; (b) um retorno atraente; e (c) uma boa chance de se valorizar em termos de preço. 

Em todos os outros momentos, o método dos juros compostos é mais seguro e provavelmente muito mais lucrativo, pelo menos no longo prazo.

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Richard Russell

Publicado anteriormente em: https://www.mises.org.br/article/3293/o-homem-pobre-o-homem-rico-e-a-magica-dos-juros-compostos–sete-anos-fazem-toda-a-diferenca

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