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Clima extremo já ameaça fechar 33% dos portos brasileiros

Os vendavais cada vez mais fortes e recorrentes provocados pelos extremos do aquecimento global poderão paralisar portos no litoral brasileiro, aponta um estudo da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) divulgado nesta segunda-feira (22). Sete de 21 portos públicos pesquisados já estão em risco alto ou muito alto por causa de ondas e fortes ventos. Em 2050, esse número poderá saltar para 16.

Os efeitos do clima podem levar à interrupção da navegação e à inundação de pátios de terminais e áreas próximas, muitos deles em áreas urbanas. Segundo o estudo, essas ameaças vão acarretar um aumento nos custos dos complexos marítimos, afetando um setor que é responsável por cerca de 95% da corrente de comércio exterior do país.

Entre os portos mais ameaçados estão os de Imbituba (SC), Santos (SP), Recife (PE), Rio Grande (RS), Salvador (BA), Paranaguá (PR) e Itaguaí (RJ). Além desses terminais portuários, também integram o levantamento os portos de Angra dos Reis (RJ), Aratu-Candeias (BA), Cabedelo (PB), Fortaleza (CE), Ilhéus (BA), Itajaí (SC) (no destaque), Itaqui (MA), Natal (RN), Niterói (RJ), Rio de Janeiro (RJ), São Francisco do Sul (RS), São Sebastião (SP), Suape (PE) e Vitória (ES).

Ranking

Para chegar ao ranking o estudo analisou os impactos das emissões de gases do efeito estufa com base em projeções para 2030 e 2050 e com dois cenários, um mais moderado e outro de alta emissão das concentrações desses gases. Esse cenário é o mais próximo das tendências observadas nas medições atuais das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera.

No ranking de ameaças por vendavais, o estudo aponta que, atualmente, 33,3% dos portos pesquisados já possuem um risco classificado como alto ou muito alto. Ao analisar essa situação em cenários futuros, a pesquisa mostra um “significativo aumento” desse risco, o qual, no cenário mais brando, aponta para que 57,1% e 66,7% dos portos, para 2030 e 2050, respectivamente, sejam classificados como de risco “alto” ou “muito alto”.

Em relação ao cenário de maior emissão de gases do efeito estufa, a classificação de risco sobe ainda mais, atingindo risco alto ou muito alto em 76,2% dos portos no período de 2050. Além dos vendavais, o estudo também traz dados acerca dos riscos climáticos associados a tempestades e ao aumento do nível do mar. Em relação a tempestades, o estudo mostra que não são previstas mudanças bruscas no nível do risco para os 21 portos públicos, dado que 16 portos apresentaram resultados constantes ao longo do período analisado.

Já no que diz respeito a ameaça de aumento no nível do mar, entre os portos analisados, onze deles — Aratu (BA), Paranaguá (PR), Rio Grande (RS), Santos (SP), São Francisco do Sul (SC), Cabedelo (PB), Fortaleza (CE), Imbituba (SC), Itaguaí (RJ), Recife (PE) e São Sebastião (SP) — possuirão, em 2030, risco classificado como alto ou muito alto.

O estudo ressalta ainda que, partir do ranking dos portos com maior risco de tempestade, vendaval e aumento do nível do mar em 2050 e no cenário de maior emissão de gases do efeito estufa foi possível observar que alguns portos se mantiveram entre os cinco primeiros em pelo menos duas das ameaças analisadas.

O porto de Aratu-Candeias ficou em segundo lugar em relação a ameaça de tempestade e primeiro em aumento do nível do mar; o de Rio Grande ficou em primeiro lugar em tempestade e segundo em aumento do nível do mar. O de Recife ficou em quinto lugar em tempestades e primeiro em vendavais. O de Santos, ficou em 3º lugar em vendavais e quarto em aumento do nível do mar; e o de São Francisco do Sul, ficou em quarto lugar em tempestades e quinto em aumento do nível do mar.

Com base nos dados obtidos, o documento enumera uma série de ações para mitigar os efeitos dessas ameaças. Entre elas estão mudanças de engenharia, como diversificação das ligações terrestres para o porto/terminal, construção de infraestruturas de abrigo, ampliação do processo de dragagem, melhoria da qualidade dos acessos ao porto/terminal, além de medidas de seguro e alteração do sistema de gestão

Para a Antaq, apesar dos estudos sobre os riscos climáticos para o setor ainda estarem em fase inicial, servirão para auxiliar na elaboração de políticas públicas voltadas para o setor aquaviário, e para possíveis medidas de adaptação a serem implementadas nos portos para aumentar a capacidade de enfrentar os impactos das mudanças do clima.

“O setor portuário brasileiro já vem sentido os efeitos das mudanças do clima e, com a intensificação prevista para esses efeitos, os impactos sentidos serão cada vez mais severos, com potencial de gerar uma série de prejuízos para os portos e para economia nacional”, diz o documento.

(com Agência Brasil)

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