PATROCINADORES

Nº 41: Pará sem ar; Oxford só em março; negacionismo de jaleco

Explicações devem ser dadas
Convocada para atuar em Manaus, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) detectou o risco de uma crise por escassez dos cilindros de oxigênio com dias de antecedência. Mesmo assim, nada foi feito. Documentos expedidos entre 8 e 13 de janeiro já indicavam a proximidade do colapso. Mesmo assim, o Ministério da Saúde enviou para Manaus cilindros de oxigênio em quantidades inferiores ao necessário, levando pacientes a morrer no hospital por asfixia. Agora, o ministro Eduardo Pazuello, da Saúde, tem 15 dias para explicar à Procuradoria-Geral da República (PGR) o motivo da omissão. O Pará parece seguir o mesmo roteiro. A secretária da Saúde do estado notificou a falta de cilindros, enquanto os casos se multiplicam na região. No município de Faro, na divisa com o Amazonas, já relata o problema. “Nossa reserva de oxigênio está zerada. Temos 37 pacientes internados dividindo 11 balas de oxigênio para que nenhuma vida seja perdida. Estamos pedindo remédios emprestados, oxigênio, não temos recursos”, afirmou secretário de governo da prefeitura de Faro, Thiago Azevedo.

Reinfecção pela cepa amazônica
Uma mulher de 29 anos foi a primeira reinfectada com a nova cepa na Região Norte. Ela apresentava anticorpos dias antes da contaminação, mas acabou doente, afirma um artigo científico produzido por pesquisadores brasileiros e publicado no Virologist.Org (fórum internacional de discussões sobre epidemiologia). O estudo foi coordenado por Felipe Naveca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) da Amazônia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que as cepas britânica e sul-africanas estão em circulação por diversos países. A variante amazônica ainda está em estudo.

Insumos ficam para março
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) comunicou o Ministério Público Federal (MPF), nesta terça-feira (19), que a entrega da vacina da AstraZeneca/Oxford, desenvolvida em parceria pela instituição, ficará para março por causa da falta de insumos. A intenção era entregar 100 milhões de doses até julho e outros 110 milhões até o final do ano.

Leia a nota da Fiocruz:
“Embora ainda dentro do prazo contratual em janeiro, a não confirmação até a presente data de envio do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) poderá ter impacto sobre o cronograma de produção inicialmente previsto de liberação dos primeiros lotes entre 8 e 12 de fevereiro. O cronograma de produção será detalhado assim que a data de chegada do insumo estiver confirmada. Ainda que sejam necessários ajustes no início do cronograma de produção inicialmente pactuado, a Fiocruz segue com o compromisso de entregar 50 milhões de doses até abril deste ano, 100,4 milhões até julho e mais 110 milhões ao longo do segundo semestre, totalizando 210,4 milhões de vacinas em 2021”.

Desgaste diplomático

Bolsonaro com o chanceler Ernesto Araújo

A Índia irá exportar a partir desta semana suas primeiras vacinas. O plano era vacinar primeiro sua população e depois exportar, mas foi preciso mudar de ideia. Só que o Brasil não deve receber nenhuma dose. A prioridade são os vizinhos, como Butão, Bangladesh e Maldivas. Integrantes do alto escalão do governo brasileiro admitiram à CNN Brasil que a relação conturbada com a China também atrapalha a importação de insumos e que há uma ordem interna de reaproximação diplomática – só não se sabe como Pequim vai reagir. O Instituto Butantan e o governo paulista temem que os impasses criados pelo Planalto impeçam a chegada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da Coronavac. O desgaste diplomático também preocupa a Fiocruz.

Quilombolas voltam à fila
O governo paulista alterou o cronograma inicial do PEI (Plano Estadual de Imunização), divulgado em dezembro. A mudança é decorrente da venda de todas as doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde. A estratégia inicial de imunizar idosos e quilombolas foi suspensa em São Paulo, já que a definição dos grupos prioritários e os ciclos de vacinação ficaram sob responsabilidade do Programa Nacional de Imunização (PNI). Ainda nesta tarde, o governador paulista, João Doria (PSDB), afirmou que a população quilombola voltará ao grupo prioritário, após a exclusão do início do PNI. Os idosos vão voltar depois à fila.

Fim do início
O Ministério da Saúde afirmou que concluiu a distribuição do primeiro lote de vacinas aos 26 estados e Distrito Federal. Foram entregues 6 milhões de doses da CoronaVac, o que deve garantir a imunização de até 3 milhões de pessoas. Além disso, o Hospital das Clínicas de São Paulo atingiu a marca de 5 mil profissionais vacinados.

Parceria Gamaleya-Oxford
O Instituto Gamaleya, da Rússia, e a farmacêutica AstraZeneca se preparam para combinar seus imunizantes e testar a sua eficácia a partir de fevereiro. Na avaliação dos cientistas, a alta taxa de eficácia de ambos os imunizantes e a abordagem científica semelhante podem criar um produto melhor.

Não tenha medo de reações
A União Pró-Vacina, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), afirma: “Existe muito mais chance de morrer de covid-19 do que morrer por causa das vacinas”. Confira:

Ainda tem dúvida sobre a CoronaVac? A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com o Hospital das Clínicas, desenvolveu um roteiro de respostas que irá ajudar profissionais e pacientes. Confira:

Negacionistas do jaleco branco

Nova York: paciente em coma induzido é colocado de bruços para ser melhor ventilado

Nos Estados Unidos, muitos profissionais de saúde se recusam a se vacinar – um grave problema para conter a pandemia. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) alertou que pesquisadores suspeitam que a nova cepa do vírus seja mais contagiosa, o que tornaria quem trabalha na linha da saúde capaz de contaminar ainda mais gente. Ainda não há dados nacionais mostrando o número de desistentes da vacina, mas o governo teme que essa taxa seja mais alta que o esperado. No estado de Nova York, um dos mais atingidos, pelo menos 40% dos profissionais ainda não foram vacinados. “Isso é no mínimo preocupante”, afirmou o governador Andrew Cuomo.

Lockdown alemão
A chanceler alemã, Angela Merkel determinou a ampliação do lockdown para a maioria das lojas e escolas até meados de fevereiro. Os virologistas do país estão preocupados com as novas cepas. Além disso, o governo quer a obrigatoriedade do uso de máscaras em lojas e nos transportes públicos.

China se organiza contra novo surto

Huangzhuang Apartment Covid-19, em Shijiazhuang, na província de Hebei

O país enfrenta o pior aumento da covid-19 desde março de 2020. O tabloide estatal Global Times escreveu: “Nenhum país poderia ter um desempenho perfeito ao enfrentar um vírus novo”. A China registrou mais de 100 novos casos pelo sétimo dia seguido, informou a autoridade nacional de saúde em comunicado. Além disso, Pequim está construindo um centro de quarentena chamado Huangzhuang Apartment Covid-19, em Shijiazhuang, na província de Hebei. A instalação terá 606 salas de quarentena e áreas de apoio. A ideia é colocar em observação os pacientes e familiares contaminados para evitar a propagação do vírus.

Cooperação latino-americana
O México espera receber da Argentina o princípio ativo para a vacina da AstraZeneca/Oxford nesta semana. As informações são do subsecretário da Saúde do México, Hugo López-Gatell. “Esta quarta-feira teremos o prazer de receber a primeira remessa a granel para aproximadamente um milhão de doses”, explicou. O órgão regulador de saúde mexicano (Cofepris, na sigla em espanhol) autorizou, em 4 de janeiro, o uso emergencial do imunizantes. O IFA produzido na Argentina pelo centro de biotecnologia mAbxience será estabilizado pelo laboratório Liomont no México.

Painel Coronavírus
Dados atualizados em 19/01/21 – 19h30

Casos confirmados
• 8.518.846 – acumulado
• 62.094 – casos novos
• 7.518.846 – casos recuperados
• 843.527 – em acompanhamento
• 4.079,9 – incidência por grupo de 100 mil habitantes

Óbitos confirmados
• 211.491 – óbitos acumulados
• 1192 – casos novos
• 2,5% – Letalidade
• 100,6 – mortalidade por grupo de 100 mil habitantes

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