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Nº 168: o infectado da Índia; crise global de oxigênio; a culpa é do SUS

Como evitar a entrada de cepas?

Nesta semana, foi detectado que um brasileiro de 32 anos que voltou de uma viagem à Índia estava contaminado com a agressiva cepa B.1.617. Ele não foi o primeiro. Marinheiros infectados foram isolados e estão em tratamento em São Luís (MA). O caso do brasileiro é diferente. Antes da infecção ser descoberta, ele percorreu um longo trajeto, mantendo proximidade com centenas de pessoas. Do Aeroporto de Guarulhos (SP), onde desembarcou, foi de avião ao Rio, desembarcando no Santos Dumont, ficou hospedado em um hotel, alugou um carro e passou por pedágios até chegar em Campo dos Goytacazes, no norte do estado. A comprovação da cepa foi feita pelo Instituto Adolfo Lutz, que sequenciou o vírus nas amostras do teste feito no desembarque em Guarulhos. O que chama atenção é como o principal aeroporto do país ainda não estabeleceu barreiras sanitárias e quarentenas para quem chega de áreas de risco? Esse tipo de medida foi imposta em outros países. Agora será necessário um trabalho de rastreio para evitar que a variante indiana se instale no Brasil. “Mais de um ano e meio após início da pandemia, o Brasil ainda não consegue fazer prevenção”, afirmou a microbiologista Natália Pasternak, da Universidade de São Paulo e do Instituto Questão de Ciência.

Confira a nota de esclarecimento da Anvisa

Com relação às matérias publicadas hoje (26/5) pelo jornal O Globo (“Vigilância falhou em caso de suspeito de variante da Índia” e “Doente vindo da Índia leva o vírus a circular no Rio”), a Anvisa esclarece os seguintes pontos:    

Sobre o trecho “Tudo isso aconteceu porque, depois de fazer um exame RT-PCR no laboratório da Anvisa, no Aeroporto Internacional de Guarulhos…”:    

A Anvisa não tem laboratório em nenhum aeroporto do país. A Agência fiscaliza e exige que o viajante apresente exame PCR negativo para Covid-19 realizado em no máximo 72 horas antes do voo internacional (na origem do voo). O passageiro em questão chegou ao Brasil com teste negativo, assintomático, e a Agência abordou esse passageiro e mais outros 12 viajantes, antes da imigração, e lavrou para todos um Termo de Controle Sanitário do Viajante (TCSV). As informações relativas à chegada de 13 viajantes provenientes de área de risco foram enviadas, na sequência, para o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) nacional e local. Tanto no preenchimento da Declaração de Saúde do Viajante (DSV) quanto no Termo de Controle Sanitário, o viajante assume compromisso de quarentena em solo nacional, por ele ser passageiro proveniente da Índia (Portaria 653, de 14 de maio de 2021).  

No Termo de Controle Sanitário, o viajante deve informar o local onde cumprirá quarentena. 

Todos os requisitos migratórios foram cumpridos, o que autorizava a entrada do passageiro em questão no país. Os órgãos nacional e local de vigilância em saúde foram prontamente acionados. 

Sobre o trecho “O viajante foi autorizado a embarcar em outro voo até o Rio, antes de o resultado da análise sair…”:    

O viajante resolveu fazer um teste para Covid-19 em um laboratório privado localizado no aeroporto de Guarulhos e recebeu o resultado positivo para Covid-19 quando já estava no Rio de Janeiro. A Anvisa foi informada do resultado positivo pelo laboratório privado, seguindo o fluxo de informações existentes para casos positivos, e informou as autoridades competentes para que monitorassem o viajante, o que é previsto no plano de contingência.    

Não há exigência de testes para embarques nacionais e não é competência da Anvisa o monitoramento de pessoas em trânsito entre estados e municípios. 

Publicado em 26/05/2021

O que MONEY REPORT publicou hoje

Se não fosse o Covax

O Ministério da Saúde reduziu para 43,8 milhões a previsão de doses de vacinas a serem distribuídas em junho. Até então, a estimativa era de 52,2 milhões – 16% a menos que o previsto inicialmente. A redução consta na nova versão do cronograma divulgado pela pasta nesta quarta-feira (26). O imunizante mais afetado é o da AstraZeneca/Oxford, que caiu de 34,2 milhões para 20,9 milhões de doses – queda de 38,8%. Se não fosse pelo Covax Facility, o encolhimento seria ainda menor. A pasta teve que solicitar a antecipação de 4,8 milhões de doses do consórcio da Organização Mundial de Saúde (OMS). A justificava está na dificuldade para a obtenção de ingredientes farmacêuticos ativos (IFA).

Queiroga 1: a culpa é do SUS

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga: “Carências do nosso sistema de saúde”

Questionado pela Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, culpou o Sistema Único de Saúde (SUS) pelo descontrole na pandemia. “O nosso sistema de saúde, a despeito dos avanços que teve nas últimas três décadas, padecia de vicissitudes. Unidades hospitalares sucateadas, urgências lotadas, UTIs lotadas e filas de cirurgias para serem realizadas”. Na prática, ele põe a culpa no governo que integra. Em março de 2021, o governo cortou 72% da verba à manutenção de leitos de UTI nos estados. Uma reportagem do UOL mostrou, ainda em dezembro de 2020, que o SUS havia perdido um de cada três leitos de UTI destinados aos pacientes com covid-19. Até 31 de dezembro, o Brasil somava 194.976 mortes e 7.675.781 casos confirmados. Hoje são 16.274.695 registros e 454.429 vítimas fatais.

Queiroga 2: sem doações americanas

O ministro considerou positiva a manifestação do presidente americano, Joe Biden, sobre a intenção de doar vacinas excedentes aos países subdesenvolvidos, mas afirmou que o Brasil não será contemplado. Ele explicou que o esforço nas tratativas com os EUA não inclui doações, só a antecipação das remessas da Pfizer e Johnson&Johnson, conforme o acertado com o secretário de Saúde americano, Xavier Becerra.

Queiroga 3: IFA nacional

O titular da pasta afirmou também que o governo federal assinará, provavelmente em 1° de junho, um contrato com a farmacêutica AstraZeneca para a fabricação do IFA para a Covishield pela Fiocruz. A medida aliviaria a dependência de importações da China e da Índia, melhorando o ritmo da campanha de vacinação.

Mundo sem oxigênio

Risco de colapso: cilindro vazio sendo retirado de um hospital em Gurgaon, Índia

A falta de oxigênio hospitalar pode afetar dezenas de países, estima o Bureau of Investigative Journalism, que analisou os dados das ONGs Every Breath Counts Coalition, Clinton Health Access Initiative (Chai) e Program for Appropriate Technology in Health (Path). Índia, Argentina, Irã, Nepal, Filipinas, Malásia, Paquistão, Costa Rica, Equador e África do Sul estão perto de situações críticas, com aumentos de 20% na demanda desde março. O levantamento também alerta para o risco de colapso no Laos, Nigéria, Etiópia, Malauí e Zimbábue, que possuem sistemas de saúde extremamente precários.

Portuários e aeroviários são os próximos da fila

Os portos adotaram medidas rígidas de higienização para mitigar os riscos de contaminação

Cerca de 150 mil trabalhadores portuários e aeroviários começarão a ser imunizados nos próximos dias, seguindo a lista do Plano Nacional de Imunização (PNI). Doses da AstraZeneca/Oxford serão distribuídas da partir da noite desta quarta-feira (26). A primeira etapa pretende atender 100% dos portuários e 78% dos aeroviários.

Imprensa contra os jogos

O presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, Toshiro Muto, afirmou nesta quarta-feira (26) ser natural que a imprensa apresente opiniões contrárias ao evento. A declaração foi dada após o jornal Asahi Shimbun defender o cancelamento das olimpíadas por causa da pandemia. O editorial cita riscos à saúde pública e de colapso no sistema hospitalar japonês.

FAQ do Butantan

Painel Coronavírus

Vacinados
• 1,74 bilhão no mundo (23,2% da população)
• 63,74 milhões no Brasil (30,2% da população)

Segunda dose
• 421 milhões no mundo (5% da população) *
• 19,3 milhões de brasileiros (9,15% da população)
* dados arredondados

Quando será a minha vez?
Não há dia certo, porém no link da plataforma “Quando vou ser vacinado” é possível obter uma estimativa. Como os dados são atualizados quase todos os dias, as expectativas mudam de acordo com a quantidade de doses aplicadas, grupos atendidos, faixas etárias e estado. Confira.

Leitos de UTI
• 85% * de ocupação total em 16 estados brasileiros e o DF
* Não há uma contagem sistemática e centralizada dos leitos de UTI disponíveis nas redes pública e privada do país. O levantamento de MR é baseado nas informações veiculadas na imprensa

Casos confirmados no Brasil
• 16.274.695 – acumulado
• 80.486 – novos infectados
• 14.733.987 – recuperados
• 1.086.279 – em acompanhamento
• 7.744,4 – incidência por grupo de 100 mil habitantes

Mortes confirmadas no Brasil
• 454.429 – óbitos acumulados
• 2.398 – novas vítimas fatais
• 2,8% – letalidade
• 216,2 – mortalidade por grupo de 100 mil habitantes

Dados atualizados em 26/05/21 – 19h

Fontes: Ministério da Saúde, consórcio de veículos de imprensa, Universidade Johns Hopkins (EUA) e Fiocruz

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